sexta-feira, abril 2

Tiro ao Guedes: esporte que não se presta a resgatar o valor do Orçamento

Há uma escalada nas críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, principalmente depois da confusão em torno da aprovação do Orçamento Geral da União. O parlamento se preocupou muito em aumentar emendas que atendiam a seus interesses, e isso não é nenhuma novidade. Mas mexeu nas contas de forma indevida.

Cancelar despesas obrigatórias é maquiar a realidade, coisa que pode até ser feita no papel. Só que a realidade insiste em desmanchar rascunhos mal feitos. Essas contas virão este ano, e ainda outras. O Congresso tapou o sol com a peneira, disse ter negociado com a equipe de Guedes – que estrilou e aconselhou o presidente Jair Bolsonaro a vetar a peça orçamentária.

O Orçamento é uma lei, mas de todas talvez seja a mais desmoralizada da República. Todo ano ela não é cumprida, seja porque as receitas não se confirmam, porque os gastos são sempre maiores que a previsão do governo, porque os parlamentares querem sempre mais… No final, é um papel que não vale seu valor de face.

O país já deveria ter aprendido a lição quando tratava da mesma forma a moeda. Ao controlar a inflação, o real deixou a histórica desmoralização das moedas anteriores e se firmou como um patrimônio defendido pelo povo, com empenho em não aceitar improvisos e maquinações que desmereçam seu valor.

O país precisa também resgatar seu orçamento, como fez com a moeda, para consolidar o trabalho institucional de fortalecimento da economia. E não serão os tiros em Paulo Guedes que farão esse serviço.

* Márcio de Freitas é analista Político da FSB Comunicação

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