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Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos seguem em queda nesta 4ª, com China e IBC-Br no radar

SÃO PAULO – Investidores iniciam o dia atentos aos dados de atividade econômica do Banco Central que avançaram acima do esperado em julho. Ainda que os números tenham sido mais positivos, o mercado já projeta crescimento abaixo de 1% em 2022 e vem revisando sucessivamente para baixo as expectativas de expansão da economia neste ano.

Power BI para Investidores

O alerta não é só aqui. Na China, o mercado monitora também dados de vendas no varejo e de produção industrial chinesa mais fracos. Nesse contexto de maiores preocupações com a atividade global, o mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera em queda na abertura das negociações desta quarta-feira (15).

No Tesouro Direto, entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,76% no início da manhã, contra 4,79% vistos um dia antes. Já o Tesouro IPCA com vencimento em 2026 oferecia retorno real de 4,48%, contra 4,52% da sessão de terça-feira.

No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,26%, abaixo dos 10,34% vistos na tarde de ontem (14). O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por sua vez, recuava de 10,93%, na sessão anterior, para 10,88%, na primeira atualização do dia.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta quarta-feira (15): 

Fonte: Tesouro Direto

IBC-Br e revisões para PIB

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) teve alta de 0,6% em julho na comparação com junho, segundo dados divulgados pela autoridade monetária nesta quarta-feira (15). Já no ano, o avanço é de 6,80% e de 3,26%, nos últimos 12 meses.

O dado ficou acima do esperado. A expectativa, segundo consenso Refinitiv, era de alta mensal de 0,4%.

Apesar de a atividade econômica ter avançado além do que estava previsto em julho, as previsões dos economistas para o crescimento da economia neste ano e no próximo têm passado por sucessivas revisões. Para 2022, o mercado inclusive já prevê um crescimento do PIB abaixo de 1% e não descarta que haja uma recessão técnica.

Na véspera, por exemplo, o Itaú Unibanco reduziu a expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, de 5,7% para 5,3%. Também houve revisão nas projeções de 2022, que recuaram de 1,5% para 0,5%.

De olho no aumento das incertezas no cenário doméstico aliado a um ambiente de juros mais altos e maiores custos, a XP também revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, de 1,7% para 1,3%. Já para este ano, a estimativa de expansão de 5,3% do PIB foi mantida.

Discursos de autoridades e MP das “fake news”

Também na cena econômica, o mercado segue digerindo as falas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e de Paulo Guedes, ministro da Economia. Na véspera, o presidente do BC disse que elevará a taxa Selic “para onde precisar levar” para controlar a inflação, mas que “não mudará o plano de voo da política monetária”.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, o mercado interpretou o que foi dito por Campos Neto como uma sinalização de que na reunião do Copom que ocorre nos dias 21 e 22 de setembro a taxa de juros será elevada na mesma magnitude que na anterior, ou seja, um ponto percentual.

“O ‘dado de alta frequência’ a que o presidente do BC se referiu foi o IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] de agosto, que veio bem acima do esperado. Assim, Campos Neto passa a mensagem de que não vai colocar tanto peso nesse indicador.”

Em relatório, a equipe de análise da XP também foi na mesma linha. “Boa parte do mercado interpretou a fala como uma reiteração do último Copom, que explicitamente defendeu aumento de 1 ponto percentual na Selic na reunião da semana que vem. Com isso, já durante a manhã de ontem, preços e expectativas se acomodaram para ajuste dessa magnitude”, afirmaram os analistas da casa. Veja mais sobre a reação do mercado às falas de Campos Neto aqui.

O discurso de Paulo Guedes também causou burburinho no fim do pregão desta terça. O ministro disse que sem reforma do Imposto Renda para bancar novo Bolsa Família, o governo poderia retomar o auxílio emergencial.

Em seguida, Guedes reconheceu que essa via criaria um “problema tremendo para todo mundo”. Isso porque ainda que o auxílio tenha sido crucial para ajudar famílias vulneráveis na pandemia, os gastos para bancá-lo acabaram ajudando a elevar a dívida pública de forma significativa.

No radar político, após a escalada de tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF) nas semanas anteriores, o presidente Jair Bolsonaro fez um aceno nesta terça e disse que não há como não acreditar no futuro do país sem o entendimento com os Poderes Judiciário e Legislativo.

Também na frente política, o governo sofreu mais uma derrota importante após decisão tomada por Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado. Na véspera, Pacheco devolveu Medida Provisória que Bolsonaro editou há uma semana alterando o Marco Civil da Internet e limitando a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais.

Cena externa

O destaque no cenário internacional está nos dados vindos da China. As bolsas asiáticas caíram, em sua maioria, nesta quarta-feira (15). Investidores reagiram à divulgação de dados sobre vendas no varejo relativas a agosto no país, que indicaram ritmo muito mais lento do que o esperado, de 2,5%, frente a 7% antecipados por analistas ouvidos pela Reuters.

produção industrial chinesa também cresceu abaixo da expectativa, em 5,3% em agosto, enquanto a expectativa dos analistas era de alta de 5,8%.

No Reino Unido, o mercado está atento aos dados de inflação divulgados nesta quarta-feira (14). O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido avançou 3,0% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados do Escritório para Estatísticas Nacionais. Foi o maior patamar em nove anos.

O resultado ficou ligeiramente acima da expectativa dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal, de alta de 2,9% no período.

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