sexta-feira, abril 2

Telescópio Nancy Grace Roman poderá encontrar mais de 100 mil exoplanetas

Futuramente, a astrofísica terá mais um poderoso instrumento para realizar diversas descobertas. Quando for lançado, o observatório Nancy Grace Roman irá estudar diversas estrelas da Via Láctea e será capaz de criar grandes panoramas, além de identificar milhares de exoplanetas com a ajuda das microlentes e do método do trânsito. O lançamento deverá ocorrer na metade da década, e é esperado que este telescópio se torne um dos melhores “caçadores de planetas” da NASA.

Instrumentos antecessores, como o já aposentado telescópio espacial Kepler, monitoraram estrelas a distância média de cerca de 2 mil anos-luz, observando uma região de 115 graus quadrados no céu. Já o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) observou quase todo o céu em sua missão inicial, mas focou nos planetas mais próximos da Terra, que costumam ter distância média de 150 anos-luz. Durante sua missão, o Nancy Grace Roman irá usar o método das microlentes gravitacionais e do trânsito para encontrar planetas a até 26 mil anos-luz de distância.

Comparação das áreas de busca dos telescópios Nancy Grace Roman em azul, do aposentado Kepler em verde e do Tess, em vermelho (Imagem: Reprodução/NASA)

Com amplo campo de visão, excelente resolução nas observações e estabilidade, o Nancy Grace Roman será uma plataforma observacional única para a detecção de pequenas mudanças na luz, exigidas para a identificação de outros planetas por meio deste método. Já no caso do trânsito, se a luz da estrela diminuir periodicamente, pode ser o caso de um planeta passando à frente dela — e grande parte das estrelas que o Roman vai observar podem abrigar planetas em trânsito.


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Benjamin Montet, astrofísico e professor da University of New South Wales, em Sidney, explica que estes eventos são raros e acontecem rapidamente, de modo que é preciso olhar várias estrelas repetidamente e medir atentamente mudanças de brilho: “essas são exatamente as mesmas coisas que teríamos que fazer para encontrar planetas em trânsito, então, ao criar um estudo robusto de microlentes, o Roman vai produzir um ótimo estudo de trânsito”, explica ele.

Em um artigo publicado em 2017, Montet e seus colegas demonstraram que o telescópio poderá ser capaz de identificar mais de 100 mil planetas passando em frente às suas estrelas. Assim, ao trabalhar com este método duplo para identificar exoplanetas, o telescópio deverá encontrar mundos de todos os tipos: o método do trânsito funciona melhor com planetas orbitando a estrela bem de pertinho, enquanto as microlentes gravitacionais podem ser usadas para a identificação de planetas orbitando as estrelas com maior distância.

 

Os planetas que forem encontrados podem ir desde mundos rochosos e menores que Marte até grandes planetas gasosos — é esperado que grande parte dos planetas identificados sejam gigantes gasosos como Júpiter ou gigantes congelados como Urano. Dos restantes, a maior parte deverá ser de planetas com massa equivalente de quatro a oito vezes à da Terra, que também são conhecidos como “mini-Netunos”. Alguns destes planetas devem estar na zona habitável de suas estrelas, ou seja, na distância em que a água pode existir em estado líquido.

A sensibilidade do telescópio à luz infravermelha também o torna uma ferramenta poderosa para identificar planetas em torno de estrelas mais escuras. Com os resultados obtidos pelos dois métodos trabalhados pelo telescópio, os cientistas esperam ter um catálogo planetário mais completo, com mundos de diversos tamanhos e órbitas.

Por fim, a missão irá proporcionar também a primeira oportunidade de identificar grandes quantidades de planetas em trânsito a milhares de anos-luz de distância, o que ajudará os astrônomos a saberem mais sobre a ocorrência de exoplanetas em diferentes regiões da galáxia.

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