sábado, maio 1

“Super terça” da final do BBB promete um dia marcante para a publicidade

Se em 27 de abril você ouviu a vizinhança gritando “doze, vai no doze! Doze! Doze, Juliette!”, e nada entendeu, está por fora da maior diversão em todo o Brasil desde o início da pandemia da covid-19. Juliette é a super favorita para vencer o Big Brother Brasil 21, e naquele dia estava à beira de conseguir a chamada “liderança” no programa exibido pela TV Globo. 

O Big Brother Brasil – ou BBB – é um fenômeno de audiência. Tem batido recordes atrás de recordes. Em 25 de abril teve, por exemplo, a melhor audiência dominical desde 2009, durante a eliminação da concorrente Viih Tube, com 28 pontos no Ibope em São Paulo e 31 no Rio de Janeiro.

É muita coisa para um programa que começa por volta das 22h30 e termina à meia-noite. Ou, na verdade, não termina, porque o Multishow exibe na TV a cabo o BBB por mais uma hora. E recentemente a Globo criou mais um horário, à tarde, para diariamente exibir trechos ao vivo.

Transmitido em mais de 50 países, em nenhum lugar do mundo o Big Brother é tanto sucesso quanto no Brasil. Está há 19 anos no ar – em dois anos a Globo exibiu duas temporadas, por isso a atual é a 21. Ideia nascida da Endemol, produtora do bilionário holandês John de Mol. Mas por que deu tão certo aqui? Primeiro, está na segunda maior emissora de TV do mundo, a maior do Brasil. A exibição é no horário nobre, todo dia, o que não se repete em outros países. 

Em segundo lugar, é um programa barato, com cachês baixos para os participantes, cerca de um salário mínimo por seis meses. Mesmo o prêmio para o vencedor, de R$ 1,5 milhão, é fichinha perto dos salários astronômicos da televisão brasileira. 

Patrocínio

A produção é caprichada, é verdade. Porém, o dinheiro que entra de patrocínio é muito, mas muito!, maior que o custo. A Globo teve fila de anunciantes em 2021. São oito os principais: Americanas, Amstel, Avon, C&A, McDonald’s, P&G, PicPay e Seara, com valores que podem chegar a R$ 78 milhões – preço de tabela, sem contar o desconto que se costuma dar aos patrocinadores que compram outros produtos da emissora. E há mais de uma dezena de outros menores. São pelo menos de R$ 500 milhões em patrocínio.

O sucesso ainda tem outros motivos. A questão da “segunda tela” é usada pelo BBB a todo instante. Não à toa, a Globo agora usa a fórmula de colocar influencers dentro da casa, o que acontece desde 2020. Aliás, verdade seja dita, ano passado foi o da recuperação do BBB, já que em 2019 a audiência foi a pior da história. Mérito da direção que soube atualizar a atração.

O merchandising está na essência do BBB – algo aceito sem receio pelos telespectadores, diferentemente do que acontece em uma novela ou nos programas matinais. E o formato de disputas, brigas (que a Globo incentiva), redenções e amores é puro entretenimento, ainda mais em um ano que concentra milhões de pessoas o dia inteiro em casa, trabalhando.

E neste ano o BBB rompeu a pecha de programa sem conteúdo, culturalmente raso. Mobilizou o país ao discutir temas como racismo, cancelamento, agressão psicológica, beijo gay na TV. Que bom! 

Final

Na próxima terça-feira a atração chega a seu desfecho prometendo um dia marcante para a publicidade brasileira. Na cola dos “brothers” e “sisters”, como são chamados os participantes, a Globo tenta trazer das cinzas o No Limite, sua primeira tentativa de reality, em 2000. O elenco do No Limite? Ex-BBBs. O Big Brother Brasil é, hoje, sem limite.

Ah, lembra da Juliette? Ela levou a liderança naquela noite em que o país gritava “doze”. A Prova do Líder foi patrocinada pela Samsung. O celular na mão dela – um Galaxy Z Flip – esgotou na loja online da fabricante poucas horas depois, ao preço de R$ 8999,00.

Que venha a “super terça” com a final do BBB 21. Os patrocinadores – e milhões de brasileiros – só pensam nisso.

*Danilo Vicente é sócio-diretor da Loures Consultoria

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