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Reskilling e upskilling: o que é e como aplicar os conceitos na minha carreira?

Pergunta de leitor: “O que e para que servem o reskilling e upskilling? Ouvi um gestor comentando durante uma reunião, mas ele não aprofundou o assunto”.

Por Rebeca Toyama*     

“Qualificar mão-de-obra já vinha sendo um desafio há bastante tempo, porém com o acelerado avanço da tecnologia e o aumento da longevidade, entrou em pauta o tema: requalificação, pois até os profissionais mais qualificados, não estão dando conta da velocidade e profundidade das novas demandas de mercado – incluindo as mudanças advindas da pandemia.

Este artigo tem como objetivo esclarecer e facilitar aos profissionais e às empresas sobre a aplicação dos conceitos de reskilling e upskilling para evitar que as habilidades já adquiridas se tornem obsoletas.

Indo pela definição exata descrita no dicionário de Cambridge, “reskill”, essencialmente significa “aprender novas habilidades para que você possa fazer um trabalho diferente”. Se falamos de “upskill”, a definição exata diz que “aprender novas competências ou ensinar novas competências aos trabalhadores”.

Portanto, “reskilling” é a requalificação das pessoas empregadas ou não que precisarão buscar outra posição dentro ou fora de sua atual empresa, pois sua função será extinta por alguma inovação.

Enquanto, “upskilling” é a atualização necessária para que o profissional consiga atender novas demandas do mercado, geralmente, dentro de seu atual emprego, porém nem sempre. No caso do upskilling não há a extinção da função ou posição, mas sim uma inovação dela.

Hoje, o mundo corporativo está à beira de uma transição histórica, não apenas causada pela tecnologia, mas também pelos impactos da transgeracionalidade. Pela primeira vez, temos o acúmulo e a diversidade de experiências de 3 gerações atuando simultaneamente no mercado de trabalho que está sendo velozmente inovado pela tecnologia, ao mesmo tempo que experimenta barreiras geográficas cada vez menos presentes.

Tais mudanças que já vinham ocorrendo na Quarta Revolução Industrial e foram aceleradas pela pandemia, impactando significativamente os ambientes de trabalho.

Nesse cenário, as empresas não podem mais considerar sua força de trabalho apenas funcionários em seu balanço, mas também devem incluir freelancers e terceirizados e sem exceção, todos, foram confrontados com algum tipo de transformação.

Novos modelos de negócios e novas tecnologias tornaram os processos mais interconectados e complexos.

As tendências recentes resultarão no redesenho de quase todos os empregos, bem como em novas perspectivas sobre o planejamento da força de trabalho e a natureza do trabalho.

Vale lembrar que já passamos por desafios semelhantes algumas vezes

O desafio da requalificação não é novidade para a humanidade. Na Revolução Agrícola tivemos que ensinar trabalhadores do campo uma nova forma de trabalhar na terra, combinando a tração animal e novas ferramentas.

Na Primeira Revolução Industrial, que ocorreu aproximadamente entre 1760 e 1840, iniciamos a preparação da mão-de-obra agrícola para o início da produção mecânica.

A Segunda Revolução Industrial iniciada no final do século XIX, possibilitou a produção em massa quando tivemos que, além de treinar, deslocar a mão-de-obra dos campos para as cidades.

Mais recente, na década de 1960, a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Digital ou do Computador, foi impulsionada pelo desenvolvimento dos semicondutores, da computação em mainframe (década de 1960), da computação pessoal (1970 e 1980) e da internet (década de 1990). Essa aqui talvez você tenha acompanhado e sabe que ainda não conseguimos atender totalmente suas demandas de qualificação.

E nem por isso a Quarta Revolução Industrial que teve início na virada do século perdeu força, muito pelo contrário, essa revolução tem como principais características: velocidade, amplitude e profundidade e o impacto sistêmico.

Enquanto procurávamos soluções para os desafios dessa fase, fomos atropelados por uma pandemia que alguns assinalam que pode ser o início da Quinta Revolução.

Um desafio para profissionais e empresas

Enquanto o mundo não para de evoluir, muitas pessoas e organizações ainda resistem em acompanhar as mudanças e preferem procurar culpados ou justificativas.

A requalificação tornou-se um imperativo de crescimento para as organizações, muitas das quais viram cargos não preenchidos por meses ou anos por falta do talento certo para preenchê-los. Está se tornando cada vez mais evidente que as organizações no mercado de talentos não podem depender apenas do recrutamento para encontrar pessoas para essas funções.

Superar esse desafio não é tarefa de apenas uma área específica ou um único profissional, uma abordagem holística de desenvolvimento de competências é necessária.

O upskilling e reskilling contínuos não só exigem o domínio de assuntos fundamentais, mas também de temas interdisciplinares do século 21, como ESG (environmental, social and corporate governance), bem-estar financeiro e saúde psicológica. Sendo assim, as habilidades do futuro não podem ser reduzidas àquelas que simplesmente envolvem tecnologia.

Juntos, empresas e funcionários podem preparar a mão-de-obra para amanhã. Criar oportunidades de qualificação dentro da empresa não é apenas inteligente, é fundamental para a saúde e o crescimento das organizações, gerando benefícios, tais quais:

Atração e retenção de talentos e diminuição de turnover;Redução de custos e demandas por recrutamento e seleção;Aumento da produtividade, criatividade e inovação.

Como começar a aplicar reskilling & upskilling dentro das empresas

Mapear as competências nas equipes e com base nesse inventário promover os treinamentos, evitando oferecer conteúdo inadequados ou já existentes;Promover treinamentos personalizados centrados nas pessoas, considerando as necessidades e objetivos específicos de cada profissional, programas massificados geram desinteresse e desmotivação;Desenvolver programas que fomentem a troca de experiências entre áreas e gerações, profissionais experientes podem estar sendo subaproveitados por não dominar algum tipo de tecnologia.

Como aplicar reskilling & upskilling na minha carreira

Reconheça o cenário atual: quais os conhecimentos e habilidades que você já possui, faça um inventário de suas hard e soft skills;Tenha clareza do desafio a ser superado ou da nova necessidade a ser atendida: sinergia e foco são fundamentais para desenhar uma trilha de aprendizagem;Identifique o que ainda precisa ser aprendido: para levar você do cenário atual para o desejado, evite buscar culpados ou justificativas;Busque boas fontes de aquisição de conhecimento: isso inclui pessoas que já superaram seus atuais desafios;Seja protagonista de seu crescimento: dedique-se à aquisição do conhecimento que transformará você na pessoa capaz de realizar o que você veio fazer no mundo.

Finalizo com uma reflexão de um autor desconhecido: “Se você precisa de conhecimento, continue adicionando algo novo à sua mente todos os dias, mas se você precisa de sabedoria, continue apagando algumas coisas negativas de sua mente todos os dias.”

Quer tirar alguma dúvida sobre carreira? Envie sua pergunta para o e-mail [email protected] A próxima resposta dos nossos especialistas pode ser a sua!

*Rebeca Toyama é especialista em estratégia de carreira e educação corporativa. Mentora e palestrante formada em administração, psicologia, marketing e tecnologia. 

 

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