terça-feira, março 9

Queridinha dos investidores, Petz reforça lojas físicas para crescer no digital

As ações da Petz (PETZ3) vivem um paradoxo: são consideradas caras, mas ainda estão no radar de recomendações de boa parte dos analistas. A explicação para a posição contraditória é o potencial de crescimento da varejista de produtos para animais de estimação. Nos próximos cinco anos, a Petz quer chegar a todos os estados brasileiros e ampliar o leque de serviços, consolidando sua posição como líder do setor.

Na temporada de IPOs de 2020, a varejista foi um dos destaques positivos. A Petz passou a ser queridinha dos investidores já na sua estreia na bolsa, em setembro do ano passado. As ações foram precificadas a 13,75 reais, mas viram uma escalada de mais de 20% no primeiro dia de negociação.

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O clima de incerteza e a volatilidade do Ibovespa afetaram o desempenho da Petz na bolsa nas últimas semanas, mas não foram capazes de anular os ganhos dos últimos meses. Desde a estreia, os papeis da empresa acumulam valorização de 48%.

Pets na quarentena

A pandemia do coronavírus baqueou diversos setores da economia, mas a mudança de hábitos durante o período de isolamento foi um grande impulso para as vendas da Petz.

“Quem já tinha um pet passou a interagir mais com ele, comprando brinquedos e petiscos, por exemplo. Além disso, houve um aumento substancial de pessoas que adotaram ou compraram animais de estimação. Isso deu força para crescermos”, disse Sergio Zimerman, CEO da Petz, em entrevista à EXAME Invest.

A empresa divulgou o balanço operacional na noite de segunda-feira, dia 8. O faturamento saltou de 1,1 bilhão de reais em 2019 para 1,7 bilhão de reais em 2020 — um avanço de 46%. Os números do quarto trimestre mostram que a pandemia também acelerou o processo de digitalização das vendas da Petz. A participação do e-commerce saltou de 10% no quarto trimestre de 2019 para 26% no mesmo período de 2020.

Mesmo crescendo, as vendas digitais não ofuscaram o faturamento dos pontos físicos. O indicador SSS (Same Stores Sales), que mede o desempenho das lojas com mais de 12 meses de operação, subiu 36,8%. No quarto trimestre de 2019, o avanço tinha sido de 6,9%.

E é aí que vem o segundo paradoxo da Petz: quanto mais fortalece o e-commerce, mais a empresa investe na abertura de unidades físicas. A rede abriu 28 novas lojas em 2020, o maior número já registrado em um único ano. Para 2021, a meta é abrir mais 30 lojas.

“Multiplicamos nossa venda digital quando abrimos uma nova loja, por causa da omnicanalidade“, diz Zimerman. O índice omnichannel da empresa alcançou 83,8% das vendas digitais. Isso significa que de cada 10 vendas feitas pelo site ou aplicativo da Petz, 8 passaram por algum outro canal. É o caso, por exemplo, dos clientes que compram pelo digital, mas retiram em uma loja física.

A importância dos canais múltiplos fez a Petz mudar de estratégia. A prioridade, agora, é semear lojas por mais regiões brasileiras. “De cada 4 lojas que abrimos, 3 têm essa estratégia de espalhamento”, conta o CEO da Petz. A rede está presente em 16 estados brasileiros, e o objetivo é chegar a todos os 27 até 2025.

Experiência completa

Outra meta ambiciosa lançada pela Petz é a de se transformar em um “ecossistema do segmento pet”. Além dos produtos já oferecidos na loja, como ração, brinquedos e itens de higiene, as lojas da empresa contam com o serviço de banho e tosa e de veterinários.

“Nosso objetivo é ir além e endereçar todas as necessidades dos donos de pets, como hotel, day caredog walker e adestramento, tudo dentro da nossa plataforma e de forma centralizada”, conta Zimerman.

Novas captações

Para ampliar o leque de serviços e crescer dentro do segmento, a Petz admite olhar atentamente a concorrência: desde as boas iniciativas de startups até o desempenho de empresas regionais. Vale lembrar que o varejo pet é altamente pulverizado no Brasil, de forma que, mesmo sendo líder, a Petz detém apenas cerca de 6% do mercado.

Diogo Bassi, CFO da Petz, diz que a empresa tem um nível de caixa confortável para fazer essas aquisições sem precisar fazer uma nova emissão de ações na bolsa de valores.

“Além do crescimento orgânico, temos três possibilidades de ganho de mercado: aquisição de startups, compra de concorrentes regionais ou uma fusão ou aquisição de um outro grande player. Para as duas primeiras opções estamos confortáveis com o financiamento por emissão de dívida. Apenas uma operação grande de M&A poderia exigir uma nova oferta de ações”, diz Bassi.