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Quem são os empresários que trouxeram a Deus Ex Machina para o Brasil

Pode parecer muita pretensão uma marca ter um logo com o nome Deus. E é. Mas é com essa veneração que uma legião de fãs trata a Deus Ex Machina, loja de origem australiana que mistura motos customizadas, surfe, moda, gastronomia e arte. Tanto que os endereços são chamados, apropriadamente, de templos.

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Os fiéis brasileiros agradeceram aos céus quando o templo da Deus Ex Machina foi inaugurado em São Paulo, sem alarde, no começo de setembro. O endereço é uma antiga casa modernista dos anos 1950, no bairro de Pinheiros, totalmente reformada, agora de estilo industrial, com muito concreto e madeira rústica.

Na seita da Deus Ex Machina, o templo de São Paulo tem um destaque especial. Trata-se do primeiro licenciamento da marca. Todos os outros 11 centros pertencem ao grupo, com sede em Milão desde que um grupo de empresários italianos comprou 60% da empresa.

Loja da Deus Ex Machina: bonés esgotadosDeus Ex-Machina/Divulgação

Origem da marca

Deus Ex Machina é uma expressão de origem grega que significa “Deus surgido da máquina”. É também um recurso do teatro antigo que consistia na descida em cena de um Deus cuja missão era dar uma solução arbitrária a um impasse vivido pelos personagens.

Em 2006, o australiano Dare Jennings vendeu a marca de moda Mambo, ícone dos anos 1990, e se juntou ao designer Carby Tuckwell para fundar a Deus Ex Machina. Desde o início a ideia era ser um centro de lifestyle que exaltasse a criatividade, a cultura e o handmade.

De Sydney a marca foi para Bali e logo sua fama se espalhou. Hoje os templos da Deus estão em países como Itália, Espanha, Coreia, França, Indonésia, África do Sul e Japão. Estima-se que o faturamento total do grupo fique em torno de 30 milhões de dólares por ano.

Investimento de 6 milhões de reais

Não foi fácil trazer a marca para o Brasil – ainda mais com o pioneiro formato de licenciamento. “As negociações começaram em 2018. A ideia era termos aberto antes, mas a pandemia adiou a inauguração”, conta o designer e publicitário Cris Almeida.

Ele tem mais três sócios na empreitada: o engenheiro Gustavo Belloc, o publicitário Rodrigo Borges e o chef Dário Costa. Juntos, eles investiram 6 milhões de reais no negócio. Pelo acordo, pagam à matriz royalties pela venda dos produtos, que variam de 3% a 8%.

As conversas começaram com Jennings, o fundador da marca. “Ele nos contou que sempre teve muitas propostas, muitas sondagens, mas sempre com atuações mais limitadas. Ou era para uma oficina de customização de motos, ou só para loja de roupas”, diz Cris Almeida.

 Casa dos anos 1950

A reforma da casa, as pinturas nas paredes e toda a parte de design fica ao seu cargo. A casa onde está a loja e o restaurante é um projeto original de Oswaldo Bratke dos anos 1950. Móveis antigos de chapa de metal da cozinha foram recuperados, assim como o piso de tacos.

O enorme jardim deu lugar ao restaurante a céu aberto e a cozinha ao fundo com um forno customizado com o logo da Deus. O chef Dário Costa é conhecido de quem acompanha programas de gastronomia na TV. Em 2016, ele participou do MasterChef, na Band. Em 2021, venceu o Mestres do Sabor, na Globo.

Na cozinha do restaurante da Deus Ex Machina, ele mistura influências caiçaras e orientais. Tudo tem um gostinho de defumado. Entre os destaques no cardápio estão o espaguete com frutos do mar com pangratatto e bottarga (78 reais) e o polvo na churrasqueira com batata doce assada na lenha e aioli (98 reais).

Quem comanda a parte gastronômica, junto com Dário Costa, é Rodrigo Borges. Formado em publicidade, ele foi sócio de diversos bares e restaurantes, como Blá Bar, Anexo, L’Entrecôte de Paris e Temakeria e Cia.

Bonés e jaquetas

Gustavo Belloc, apesar de engenheiro de formação, fez carreira em marcas de moda ligadas a esporte, como Volcom, Nike, Billabong e Quilksilver. Ele é o responsável pelo gerenciamento do segmento de vestuário.

Pelas prateleiras da loja estão espalhados itens como jaquetas com forro de neoprene, camisetas estampadas, capacetes pintados à mão. Também estavam à venda mochilas da marca escandinava Fjällräven, a favorita da geração Z.

Bonés, não. Haviam esgotado.

Os produtos ainda eram todos importados, mas está previsto chegar ainda este mês as primeiras peças confeccionadas no Brasil e aprovadas, claro, pelo escritório na Itália. “Produzir aqui vai nos permitir produzir peças de acordo com a demanda dos clientes e melhorar nossa margem”, diz Belloc.

Em comum, os sócios alimentam gostos por boa gastronomia, esportes de ação como surfe e skate, andar de moto. Não basta vender estilo de vida. É preciso praticá-lo.

Heineken, Pernod e Triumph

Na casa modernista, uma estrutura de vigas de metal teve de ser instalada para suportar o peso de um terraço construído a céu aberto, onde vai funcionar um bar da Heineken para eventos. No segundo andar também já está funcionando um bar de drinques com destilados da Pernod Ricard.

Os sócios estão agora atrás de marcas de calçados e de bicicleta para novos acordos. As parcerias com as marcas têm contratos longos, de dois a três anos, e preveem eventos presenciais assim que a pandemia tornar possível. “Os acordos ajudam no nosso planejamento e aceleram o payback”, afirma Borges.

No meio das obras de reforma foram encontrados dois cofres antigos. Um deles, maior, foi customizado com o logo Jack Daniel’s, uísque da Pernod. Outro cofre, este de parede, foi restaurado e deve virar uma ação com um banco digital.

As motos expostas são da Triumph, inclusive a Bonneville que David Beckham usou numa expedição à Amazônia e que costuma ficar no escritório da marca, em São Paulo. A moto do Beckham, claro, não está a à venda – mas em breve a Deus Ex Machina terá unidades customizadas com seu bendito logo.

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