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Pessoas físicas com ações do IRB crescem 967% em menos de um ano

Em menos de um ano, o IRB Brasil foi de um porto seguro que atraia grandes fundos de previdência para uma incógnita do mercado financeiro, com dúvidas levantadas até mesmo por Warren Buffett. Porém, foi nesse mesmo período que a base de pessoas físicas entre os acionistas da companhia cresceu 967%, passando de 27.126, em setembro de 2019, para 289.488, no fim de julho deste ano. Por outro lado, a quantidade de investidores institucionais, representados por gestoras e fundos de pensão, caiu 29%, de 1.635 para 1.164, segundo dados mais recentes do formulário de referência da empresa.

Durante esses cerca de 10 meses, a companhia ganhou destaque no noticiário econômico por uma série de acusações. A mais grave surgiu em carta da Squadra em que a gestora fluminense explicava sua posição vendida (que busca lucrar com a queda das ações) na companhia. Segundo a carta, as demonstrações financeiras do IRB continham sérios indícios de inconsistências contábeis, o que foi, posteriormente, confirmado pela própria (e nova) administração da companhia.

As dúvidas levantadas pela Squadra sobre a fidelidade dos balanços da companhia geram grande furor entre os investidores e, em menos de dez dias após a divulgação da carta, o valor da companhia caiu mais de 25%.

O segundo grande baque veio após o megainvestidor americano Warren Buffett negar ter qualquer participação no IRB, como havia sido ventilado, fazendo as ações da companhia cair mais 32%. No ano, a desvalorização acumulada pelos papéis do IRB chegou a superar as do setor aéreo, tido como o mais afetado pelos efeitos colaterais da pandemia e até hoje, a empresa lidera as perdas do Ibovespa no ano, com queda acumulada de 80%.

Apesar do noticiário negativo, Joelson Sampaio, coordenador do curso de Economia da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP), o fato de a empresa ter entrado em evidência e a própria desvalorização do ativo podem ter contribuído para o aumento de pessoas físicas na base acionária da empresa.

“Existe o efeito de acreditar que a ação vai voltar para os patamares anteriores, mas isso é mais baseado em especulação do que em fundamento. Muitas vezes, a pessoa física compra sem ter muito conhecimento sobre a ação, enquanto os institucionais têm mais condições técnicas [de avaliar o ativo] por ter toda uma equipe de profissionais por trás”, comenta.

Pedro Lang, diretor de renda variável do escritório de agentes autônomos Valor Investimentos, relata que a procura de investidores de varejo por uma determinada ação cresce principalmente quando o ativo apresenta forte desvalorização.

“No caso do IRB, a ação despencou e ficaram doidos para comprar. Se uma ação cair 90%, independentemente do motivo, a pessoa física tem o costume de achar que ficou barato. Para tentar ganhar no curto prazo, no geral, preferem a ação de uma empresa que oscila muito que uma que varia menos. Infelizmente, muita gente vê como cassino”, afirma.

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