quarta-feira, abril 7

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

A sessão desta quarta-feira (7) é sem grandes variações para os principais índices mundiais, com os investidores atentos à ata da última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que indicou juros perto de zero nos EUA até 2023. Na zona do euro, os investidores ainda repercutem os PMIs de março.

Por aqui, as discussões sobre o Orçamento seguem no radar. O foco fica no veto parcial de emendas no orçamento deste ano que Paulo Guedes, ministro da Economia, busca propor, de volta a cumprir com os gastos obrigatórios. Confira no que ficar de olho:

1. Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos têm altas nesta quarta-feira (7), enquanto as bolsas europeias têm desempenho misto. As bolsas asiáticas também fecharam sem direção definida. Investidores repercutem uma projeção mais otimista do FMI sobre a recuperação global, e aguardam pela ata da última reunião do Federal Reserve.

Na terça, as principais bolsas americanas fecharam a sessão no vermelho depois de uma alta forte na segunda na esteira de fortes dados econômicos, incluindo o relatório de empregos relativo a março, divulgado na sexta-feira passada, que bateu as expectativas de analistas.

Todas as principais bolsas americanas estão concluindo o seu quarto trimestre de ganhos. Nesta quarta, os índices futuros americanos têm altas, com investidores aguardando pelas minutas das reuniões do Fed para avaliar se o banco central americano considera iniciar a normalização mais cedo do que havia anunciado.

Contudo, a expectativa é de que o documento reforce a  postura mais cautelosa da autoridade monetária, em um contexto de inflação ainda baixa, apesar da aceleração da economia esperada para os próximos meses com o avanço da vacinação e o elevado grau de estímulos fiscais e monetários.

Atenção ainda para o pacote de infraestrutura do governo de Joe Biden: sem acordo com Congressistas republicanos, o presidente apela ao eleitorado para tentar virar votos no legislativo a favor do seu pacote de US$ 2,25 trilhões.

Além disso, investidores também reagem à decisão do FMI (Fundo Monetário Internacional) de elevar sua perspectiva de crescimento para a economia global em 2021 dos 5,5% estimados em janeiro para 6%.

O FMI afirmou que “um caminho saindo dessa crise de saúde e econômica é cada vez mais visível”. Mas alertou sobre “grandes desafios”, devido ao ritmo variado de distribuição de vacinas pelo mundo.

As bolsas asiáticas tiveram em sua maioria altas na quarta. Bolsas de Japão e Coreia do Sul tiveram ganhos, enquanto as bolsas da China continental e de Hong Kong recuaram.

Nesta quarta, as bolsas europeias têm um movimento misto, com investidores avaliando os movimentos de outros mercados internacionais, em especial o recuo dos mercados nos Estados Unidos na terça. Ações de tecnologia perdem 0,9%, enquanto bancos avançam 0,6%.

Atenção ainda para os dados econômicos da reunião. Às 5h foi divulgado o índice PMI Composto Markit relativo a março na Zona do Euro, que marcou 53,2 pontos, acima da expectativa de analistas, de 52,5 pontos, e do patamar anterior, de 48,8 pontos. O PMI do setor de serviços em março marcou 49,6 pontos, acima da projeção de 48,8 pontos, e do patamar anterior, de 45,7 pontos. Qualquer patamar acima de 50 indica expansão; abaixo, retração.

Às 5h30 foi divulgado o PMI Composto relativo a março no Reino Unido, que marcou 56,4 pontos, em linha com a expectativa de analistas, de 56,6, e do patamar anterior, também de 56,6. O PMI do setor de Serviços em março marcou 56,3 pontos, abaixo da projeção de 56,8, e do patamar anterior, também de 56,8.

2. Agenda

Às 8h a Associação dos Banqueiros Hipotecários dos Estados Unidos divulga dados sobre pedidos de hipotecas, juros de hipotecas de 30 anos, índice de compras, pedido de refinanciamento hipotecário e índice do mercado hipotecário. Às 9h30 são divulgados dados sobre a balança comercial em fevereiro nos Estados Unidos. Às 10h, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, realiza um discurso. Às 11h são divulgados sobre estoques de petróleo e combustíveis nos Estados Unidos.

Às 13h, Tom Barkin, membro do Fomc (Comitê do Mercado Aberto) do Fed, realiza discurso. Às 15h são divulgadas as atas da reunião do Fomc.

Às 8h é divulgado o índice de inflação IGP-DI, relativo a março no Brasil. Às 14h30 são divulgados dados sobre fluxo cambial estrangeiro no Brasil.

Já às 18h, a série Super Lives – 1 ano de pandemia, organizada pelo InfoMoney e pela XP, traz painel com Dimas Covas (diretor do Instituto Butantan), Nathalia Pasternak (presidente do Instituto Questão de Ciência) e Edécio Cunha (chefe do laboratório de bioquímica do InCor), para falar sobre as perspectivas para a vacinação no Brasil. Às 19h, Alexandre Schwartsman (ex-diretor do BC), Caio Megale (economista-chefe da XP), Luiz Fernando Figueiredo (sócio da Mauá) e Pedro Jobim, sócio da Legacy, tratam sobre os desafios econômicos do país. Confira a programação completa clicando aqui. 

3. Mais de 4.000 mortes em um dia

O Brasil registrou na terça (6) 4.211 mortes por Covid, um recorde. Foi a primeira vez que o país registrou mais de 4.000 mortes pela doença em um único dia, o equivalente a mais de três mortes por minuto. Os Estados Unidos são o único outro país que atingiu esta marca.

O registro especialmente alto de mortes se deve, em parte, à contabilização de casos que ficaram represados durante o final de semana estendido após os feriados da Páscoa, quando parte dos profissionais responsáveis pela contabilização tiveram folgas. Nos Estados Unidos, o patamar de 4.000 registros de mortes em um dia foi batido após as festas de fim de ano.

Na terça, a média móvel de mortes em 7 dias no Brasil ficou em 2.775, alta de 22%. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de terça, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 63.143, queda de 16% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 82.829 casos.

20.828.398 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 9,84% da população. A segunda dose foi aplicada em 5.881.392 pessoas, ou 2,78% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na terça, a prefeitura de São Paulo anunciou que dará início nesta quarta a uma operação para abrir 600 valas individuais por dia nos 22 cemitérios municipais. A prefeitura também avalia a construção de um cemitério vertical em Itaquera, na Zona Leste da Cidade, que teria espaço para 26 mil urnas.

Na terça, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conversou por telefone, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre a possibilidade de liberação da vacina contra Covid-19 Sputnik V para compra pelo Brasil.

O governo planeja a compra de 10 milhões de doses da vacina russa, que será fabricada no Brasil pelo laboratório União Química, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu, há cerca de 10 dias, os prazos do pedido de uso emergencial por falta de documentos. Na conversa, o presidente tratou da visita de uma missão técnica da Anvisa ao país para inspecionar a produção do imunizante.

Em nota, o Palácio do Planalto informou ainda que a conversa tratou de outros temas, como o comércio entre os dois países, e que Bolsonaro teria enfatizado o pedido para que mais frigoríficos brasileiros sejam liberados para exportar carne para a Rússia.

Na terça, governadores se reuniram com a diretoria da Anvisa e cobraram que a agência autorize a importação da vacina russa Sputnik V contra a Covid-19 ainda em abril antes da visita de técnicos do órgão regulador à Rússia, em busca de ampliar a capacidade de vacinação do país no pior momento da pandemia.

“A lei prevê um prazo, esse prazo é de 7 dias úteis ou 9 corridos. Nós governadores temos a expectativa de neste prazo, que vai até a próxima segunda-feira, que a gente tenha a aprovação, a aprovação neste prazo curto, como manda a lei, ela é uma garantia de que essa vacina é segura, tem eficiência, aplicada em 58 países do mundo”, disse o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), coordenador do tema de vacina no Fórum dos Governadores.

“Essa vacina que já tem 10 milhões de pessoas, ninguém morreu, todo mundo se sente imunizado, então nós queremos esta vacina também para o Brasil e nós queremos, como está no contrato, também para o mês de abril”, afirmou Dias.
O governo federal afirmou ao STF na terça que avalia que tem adotado todas medidas necessárias para garantir vacinas e insumos à população no enfrentamento à pandemia de Covid-19 e que eventuais atrasos não são responsabilidade do Executivo Federal.

No documento, a Advocacia-Geral da União informa que o governo editou medidas provisórias que abriram créditos para compra de vacinas. A manifestação responde a ação que questiona a atuação do governo federal na demora na imunização dos brasileiros.

“Portanto, o ente federal está adotando as medidas para garantir as vacinas e demais insumos à população, de modo que os atrasos verificados na efetiva aplicação das doses, a cargo dos entes subnacionais, não podem ser imputados ao ente federal”, disse a AGU.

Em outra peça, a Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde destacou que o governo federal vem envidando esforços possíveis e necessários para garantir a imunização dos brasileiros.

Em conversa com apoiadores na terça transmitida em redes sociais, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), um homem comentou que não se entendeu que é preciso unir o país para atacar o inimigo comum.

Bolsonaro emendou com críticas à cobertura jornalística: “Não, é jogo de poder, se vai morrer mais gente não interessa não (…) Eu resolvo o problema do vírus em poucos minutos, é só pagar o que os governos pagavam no passado de verba de imprensa”.

Segundo o presidente, em outros países do mundo o “pessoal quer destruir o vírus, aqui quer destruir o presidente”. O presidente voltou a criticar medidas de restrição de circulação de pessoas decretadas por diversos Estados para tentar conter o avanço da Covid-19, no pior momento da pandemia no país.

Nesta quarta, Bolsonaro visitará Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. A atuação da cidade na pandemia vem sendo elogiada pelo presidente. A cidade soma 535 mortes e tem 97% de seus leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) ocupados.

Na segunda, o presidente havia afirmado sobre a cidade: “Aquele município [Chapecó], com toda a certeza e em mais e em alguns estados também, o médico tem a liberdade total para trabalhar com o paciente, total. E esse é o dever do médico, é uma obrigação e um direito dele. Não tem um remédio específico, ele trata da melhor maneira possível. Por isso, os índices foram lá para baixo”.

4. Orçamento segue no radar

No Brasil, o noticiário sobre o Orçamento segue no radar. O Valor Econômico destaca que o Legislativo acena com corte de R$ 13,5 bilhões em emendas, mas esperam um ‘gesto concreto’ de Paulo Guedes, ministro da Economia, para superar o impasse.

O Ministério Público apresentou um pedido junto ao Tribunal de Contas da União para que a corte faça um alerta preventivo de possíveis crimes de responsabilidade fiscal e comum que podem ser cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro em caso de sanção da peça orçamentária deste ano, recém-aprovada pelo Congresso Nacional.

Apesar de ter sido aprovado pelo Congresso, o Orçamento não destina recursos suficientes para despesas obrigatórias, e ampliou os gastos com defesa, forças de segurança e emendas parlamentares destinadas a obras nos redutos eleitorais de congressistas. Caso permaneça como está, haveria risco de paralisação da máquina pública.

Por isso o Orçamento vem sendo chamado de “fictício”, é alvo do Tribunal de Contas da União e passa por novas negociações. A equipe econômica do governo vem pedindo cortes no Orçamento, em especial nas emendas parlamentares, usadas em obras públicas em redutos eleitorais.

Segundo a representação do Ministério Público assinada pelo subprocurador-geral do TCU Lucas Furtado, teria havido um remanejamento de R$ 26,45 bilhões em recursos de despesas obrigatórias do Orçamento deste ano para o custeio de emendas parlamentares sem que tenha havido justificativa técnica para isso.

O MP recomenda que o alerta sobre crimes de responsabilidade seja encaminhado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e ao procurador-geral da República, Augusto Aras. O pedido também pede para se apurar a responsabilidade da área técnica do Ministério da Economia por ter tido participação “ativa e contínua” na elaboração da peça que tramitou no Congresso.

“O valor que foi remanejado estava originalmente vinculado a despesas obrigatórias relativas a pagamentos de benefícios previdenciários, abono salarial e seguro-desemprego. Como são despesas obrigatórias, não podem deixar de ser suportadas.

Ou seja, ocorreu uma ‘maquiagem’ do orçamento, prevendo recursos que, a rigor, não existem, porque não podem ser desvinculados de sua obrigatoriedade de execução natural”, argumentou.

Furtado disse que a “grave situação” do Orçamento pode afetar a regra do teto de gastos e o limite de despesas obrigatórias que também está sujeito ao teto.

O crime de responsabilidade pode levar o presidente a responder a um processo de impeachment. Foi também por questões fiscais, por exemplo, que a então presidente Dilma Rousseff foi alvo de um processo de impedimento que posteriormente levou à deposição da petista do cargo em 2016.

Além disso, durante reunião do Fundo Monetário Internacional, Guedes pediu que haja cooperação internacional no processo de distribuição de imunizantes aos países em âmbito global, mencionando que o investimento de maior retorno global é garantir o acesso equitativo às vacinas e promover uma vacinação rápida. Em seu discurso, Guedes disse que a onda mais recente de contaminações por Covid “lança maior incerteza e estresse acima do normal” para a economia.

Em comentários preparados para serem apresentados em reunião desta manhã, Guedes fez um apelo aos setores público e privado, bem como às organizações multilaterais e à cooperação bilateral, para que auxiliem no processo de financiamento e distribuição de imunizantes. Ele também ventilou a possibilidade do licenciamento voluntário de propriedade intelectual.

E no atraso na reedição do BEm, governo deve propor alteração na LDO para evitar necessidade de compensação. O Senado pressiona ao colocar o projeto em pauta.

5. Radar corporativo

No radar corporativo, a Smiles, empresa que administra o programa de fidelidade do mesmo nome, anunciou que fará o pagamento de R$ 500 milhões em dividendos intermediários no dia 16 de abril, em uma única parcela. Esse total equivale a R$ 4,0270958 por ação ordinária. O dividendo foi aprovado no final de março pelo Conselho de Administração da companhia, com os papéis SMLS3 sendo  negociados ex-dividendos desde o dia 31 de março.

Já a Enauta, que atua na exploração e produção de petróleo e gás, anunciou seu resultado operacional do primeiro trimestre do ano. O total no período foi de 1,05 milhão de barris de óleo equivalente (boe), o que equivale a uma produção média diária de 11,7mil boe.

A Santos Brasil informou que fechou um novo acordo comercial para a prestação de serviços da operação de contêineres da Maersk no Tecon, localizado no Porto de Santos. O acordo anterior havia expirado em 31 de março.

A LG Informática, por sua vez, confirmou ter enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de interrupção por 60 dias do prazo de análise de registro de sua oferta de ações (IPO, na sigla em inglês), com a qual pretendia captar perto de R$ 900 milhões, considerando o preço de R$ 17,50, o meio da faixa de R$ 15,00 a R$ 20,00 por ação prevista.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na terça que os estudos acerca da privatização da Eletrobras devem levar até nove meses para serem concluídos e projetou que, no máximo até o início de 2022, a companhia já deve estar capitalizada. “A Eletrobras, eu acho, já está na lista de privatização. Acho que estudos vão levar seis, sete, oito, nove meses. Ao fim do ano, ou no máximo no início do ano que vem, deve estar capitalizada, como dizem aqui”, disse em inglês o ministro em videoconferência promovida pelo Itaú com investidores estrangeiros.

A diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu em reunião na terça adiar reajustes tarifários previstos para algumas distribuidoras, enquanto avalia saídas para conter uma tendência de forte aumento de custos para os consumidores neste ano. Com isso, as tarifas atuais da CPFL Paulista, controlada pela CPFL Energia, e de empresas da Energisa que atuam no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, serão prorrogadas até uma segunda avaliação do regulador.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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