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Movida quer usar emissões para ampliar frota e não descarta aquisições

A Movida (MOVI3) apresentou lucro líquido de 110 milhões de reais no balanço do primeiro trimestre, divulgado na noite desta terça-feira, 27. O valor, o maior já registrado pela companhia, foi 99% superior ao do mesmo período do ano passado. Mas apesar do forte resultado, o presidente da companhia, Renato Franklin, vislumbra um cenário ainda mais favorável nos próximos trimestres.

“Melhor do que este trimestre, são as perspectivas que temos pela frente. E isso justificou a emissão dos títulos”, afirmou Franklin em entrevista exclusiva à Exame Invest Pro

Em janeiro deste ano, a empresa fez sua primeira emissão de títulos sustentáveis, levantando 500 milhões de dólares. Segundo Franklin, o “principal objetivo” é utilizar os recursos para a expansão de frotas. Desde o início da pandemia, a companhia adquiriu 22.000 veículos, sendo cerca de 6.000 no último trimestre. 

“[Com o dinheiro] a previsão é aumentar o volume de compras, alimentando o crescimento orgânico”, afirmou. O executivo, porém, não descarta a possibilidade de utilizar parte para aquisições de locadoras de nicho, como fez recentemente com a Vox, voltada para o segmento premium. 

“Como temos posição sólida em caixa, temos olhado para pequenas aquisições, mas não é o foco da companhia.”

Busca por estabilidade

Dos 6.000 carros comprados no primeiro trimestre, 5.000 foram destinados à gestão e terceirização de frotas (GTF) – frente que tem se tornado um dos principais pilares da Movida. 

“A estratégia de crescer um pouco mais a GTF dá mais recorrência e estabilidade por não ser uma área exposta à sazonalidade ou restrições, como o lockdown’, diz Franklin. 

O presidente da empresa explica que um dos trunfos da Movida na GTF tem sido o programa Movida Zero Km. “Ele é voltado para pessoas físicas e a média dos contratos está em  31 meses. Isso tem gerado uma rentabilidade muito boa para a GTF.”

No trimestre, a receita líquida com GTF cresceu 30,6% na comparação anual para 165,3 milhões de reais. Em relação à receita líquida total da companhia, a área já representa 20,5%, 8 pontos percentuais a mais do que no primeiro trimestre de 2020.

Retenção de veículos

Por outro lado, a participação da linha de vendas de seminovos, que era de 55,3% da receita líquida no ano passado, caiu para 34,10% – mesmo com a alta do valor médio devido à queda de produção de veículos no Brasil.

“Nossa estratégia foi vender menos carros e priorizar o cliente do aluguel, possibilitando o crescimento e guardando os carros para vender depois. Como o preço continua subindo, quando renovarmos a frota, o valor da venda do carro será maior que o presente no balanço, gerando um resultado positivo.”

Com os preços em alta, a linha de seminovos registrou sua maior margem bruta da história, de 21,8%, 15,7 p. p. acima da do primeiro quarto do ano passado e de 2,1 p.p. se comparado ao trimestre anterior. 

Pandemia e impactos no RAC

A Movida também registrou recorde em receita líquida com a linha rent-a-car (RAC), faturando 365,1 milhões de reais no trimestre. O resultado, porém, poderia ter sido ainda melhor se não fosse o recrudescimento da pandemia na segunda metade de março. Isso porque o aperto de medidas de isolamento no período tiveram impactos na taxa de ocupação, que caiu de 84,3% no trimestre anterior para 79,3%. 

“Antes do lockdown, vínhamos rodando acima de 81%. Então por sazonalidade se manteria nesse patamar. O que derrubou foi os últimos 15 dias de março, quando caiu bastante a demanda”, revela Franklin.

Outro efeito colateral foi o crescimento da demanda de locações no RAC para viagens corporativas, que, segundo ele, triplicou em relação ao período pré-pandemia. “Aquela viagem que se fazia de avião, como entre São Paulo e Rio de Janeiro ou São Paulo e Curitiba, as pessoas estão fazendo de carro e isso tem sustentado o crescimento do RAC”.

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