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Missão da SpaceX que virou série promete concretizar nova era no espaço

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Uma cientista, um engenheiro, uma médica assistente e um bilionário vão ao espaço o final da história ainda não sabemos, mas seu início está programado para hoje, 15, às 21 horas no horário de Brasília. A bordo da nave Crew Dragon da empresa espacial SpaceX, de Elon Musk, quatro tripulantes serão os primeiros “não astronautas” a ir ao espaço por três dias. 

A missão, chamada de Inspiration4, é um marco quando falamos do futuro do turismo espacial. Talvez você tenha lido sobre o assunto recentemente, quando as empresas Virgin Galactic e Blue Origin realizaram duas missões com turistas a bordo no início de julho, mas que tiveram duração de aproximadamente doze minutos.

Os CEOs das empresas, Richard Branson e Jeff Bezos, respectivamente, também estavam no voo, mas Elon Musk não vai seguir os passos dos colegas. Não é a primeira vez que o CEO da Tesla se destaca da competição: parceiro da Nasa, já ajudou a levar diversos astronautas da agência até a Estação Espacial Internacional (ISS) e recentemente fechou contrato exclusivo avaliado em 2,9 bilhões de dólares para construir uma das espaçonaves Starship para o programa Artemis. A notícia não foi vista com muita alegria por Bezos, que processou a agência norte-americana.

Para a SpaceX, a Inspiration4 pode mostrar para o mundo que voos espaciais com civis são o novo futuro e uma possibilidade para qualquer um. Será a primeira vez na história que “astronautas amadores” serão treinados para sobreviver por dias em uma cápsula na órbita da Terra.

“Queremos tornar o sonho do espaço acessível a qualquer um. A missão ajuda a conscientizar as pessoas sobre os voos espaciais, tornando-os algo mais pessoal. Tomara que ela inspire as pessoas a voar, como o nome diz”, disse Musk no documentário “Inspiration4: Viagem Estelar”. A série da Netflix foi lançada na última segunda-feira, 13, e mostra os bastidores da missão espacial.

A Inspiration4, porém, vai muito além da chegada ao espaço: seu objetivo é arrecadar 200 milhões de dólares para o St. Jude Children’s Research Hospital, hospital de caridade para crianças com câncer. Mais de metade do valor já foi doado pelo bilionário e tripulante Jared Isaacman e o restante será arrecadado através do site Inspiration4. 

Quem são os quatro tripulantes da Inspiration4?

Isaacman tem 38 anos e é o CEO da Shift4 Payments, empresa de pagamentos online, e fundador da Draken International, companhia responsável por uma das maiores forças aéreas privadas do mundo. Ele comprou todos os quatro assentos a bordo do Dragon por uma quantia não revelada (estimada em 50 milhões de dólares cada).

“Eu poderia simplesmente ter convidado um grupo de meus companheiros pilotos para ir e nós teríamos nos divertido muito e voltado para tomar um monte de coquetéis”, conta Isaacman à revista Time. “Em vez disso, queríamos trazer pessoas comuns e energizar todos em torno da ideia de abrir o voo espacial para mais e mais de nós.”

Foi decidido que as outras três cadeiras seriam escolhidas de outra forma: a primeira seria para um funcionário do hospital St. Jude; a segunda seria por meio de uma loteria, na qual qualquer pessoa poderia ser escolhida ao fazer uma doação ao hospital, e a terceira e última vaga seria a mais difícil de todas: para conseguí-la, seria necessário idealizar um projeto usando o software da empresa de Isaacman, a Shift4, e desenvolver uma campanha para as redes sociais. 

A colaboradora do St. Jude escolhida é Hayley Arceneaux, 29, médica assistente e sobrevivente de câncer infantil. Ela será a pessoa mais jovem a passar alguns dias na órbita da Terra e também a primeira pessoa a voar no espaço com uma prótese (um fêmur esquerdo artificial que substitui o osso que ela perdeu aos 10 anos por conta da doença). 

O vencedor da loteria é Chris Sembroski, 41, engenheiro da Lockheed Martin e veterano da Força Aérea dos Estados Unidos. Já quem ganhou a competição para a última vaga é a professora e geocientista Sian Proctor, 51, que já se candidatou para ser astronauta da Nasa duas vezes.

Em 2009, Proctor chegou a ser uma das últimas 50 finalistas no programa da agência espacial, mas não passou. “Pelo menos uma das pessoas escolhidas para a classe em 2009 ainda nem teve a chance de voar”, conta Proctor, que irá chegar ao espaço fora do trajeto tradicional.

A equipe do Inspiration4: Hayley Arceneaux, Sian Proctor , Chris Sembroski e Jared Isaacman.Lucie AUBOURG/AFP

Como será a missão Inspiration4?

Os quatro tripulantes vão decolar do Complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy da Nasa na Flórida, Estados Unidos. De lá, algumas das viagens espaciais mais marcantes da história já foram lançadas: Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins decolaram desta plataforma para a missão Apollo 11, em julho de 1969, e se tornaram os primeiros homens a pisar na Lua.

O veículo usado será o Crew Dragon Resilience (“resiliência”, em português), evolução de uma antiga nave espacial da SpaceX pelo nome de Dragon 1. Ele não irá se atracar à Estação Espacial Internacional (ISS). Ao invés disso, irá flutuar pela órbita até o final da jornada.

Embaixo da Crew Dragon estará o Falcon 9, foguete de dois estágios que conta com nove motores potentes para levar a espaçonave até a órbita. Enquanto outras versões da cápsula têm janelas retas e pequenas, esta nave terá uma cúpula para oferecer uma visão completa do espaço. É uma “edição especial” para a missão Inspiration4.

A look at Dragon’s Cupola, which will provide our Inspiration4 astronauts with incredible views of Earth from orbit!

The crew visited the flight-hardware Cupola in California before it was shipped to Florida for integration with Dragon Resilience. pic.twitter.com/9ivMZrS1ip

— Inspiration4 (@inspiration4x) September 1, 2021

Após a decolagem, o Falcon 9 vai chegar à metade da latitude orbital e o primeiro estágio do foguete irá se desprender. O segundo estágio do foguete vai acelerar a espaçonave até a velocidade contínua de cerca de 28.000 quilômetros por hora e depois irá cair, deixando somente a Crew Dragon em órbita.

A nave deve manter uma velocidade contínua de 28.000 quilômetros por hora por três dias. Na hora da reentrada na Terra, o veículo irá se virar e começar a desacelerar lentamente até descer a atmosfera. Um pequeno paraquedas será lançado, seguido de outro maior, para os tripulantes descerem suavemente até pousarem no Oceano Atlântico.

Na missão, Isaacman servirá como comandante, Proctor como pilota, Arceneaux como médica e Proctor como especialista em missões. Cada um deles representa um pilar “para a humanidade”, como descreve a SpaceX: liderança, prosperidade, esperança e generosidade, respectivamente.

Tripulação do Inspiration4 posa com a nave Crew Dragon. Da esquerda para a direita: Jared Isaacman, Hayley Arceneaux, Sian Proctor e Chris SembroskiJohn Kraus/Netflix

Uma vez em órbita, a tripulação realizará experimentos sobre saúde humana e desempenho no espaço, que contribuirão para futuros voos espaciais. Além disso, a SpaceX, o Instituto de Pesquisa Translacional para Saúde Espacial (TRISH) e os pesquisadores da Weill Cornell Medicine coletarão dados ambientais e amostras biológicas dos quatro membros antes, durante e depois do voo.

Apesar de cara e distante da realidade brasileira, os voos espaciais com civis devem se tornar mais comuns e acessíveis caso a moda pegue com o tempo. “Toda tecnologia começa com os bilionários e depois o preço desce. As viagens espaciais, em teoria, serão da mesma forma, começando com clientes ricos e, em seguida, o preço caindo à medida que a tecnologia melhora e se torna mais acessível e comum”, disse Laura Forczyk, especialista em indústria espacial, a EXAME.

Assista ao lançamento da missão Inspiration4 às 21 horas:

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