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Mesmo na lista suja do governo dos EUA, DJI manterá vendas de drones no país

Maior fabricante de drones do mundo, a chinesa DJI Technology foi integrada à temida lista suja do Departamento de Comércio dos EUA no último dia 18 de dezembro. Com isso, ela passou a fazer companhia junto a empresas como Huawei, ZTE e outras dezenas de corporações do país asiático. No entanto, mesmo com tal restrição, a DJI afirma que seus produtos continuarão à venda no país.

Em comunicado enviado por e-mail à agência Reuters, a empresa afirma que:

“A DJI está decepcionada com a decisão do Departamento de Comércio dos EUA. No entanto, os clientes na América podem continuar a comprar e usar produtos DJI normalmente.”


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Em janeiro deste ano, o Departamento do Interior dos Estados Unidos afirmou que estava suspendendo sua frota de cerca de 800 drones, cuja fabricação é chinesa. E, antes disso, o governo norte-americano suspendeu as compras adicionais de mais unidades deste tipo de equipamento.

De modo geral, as empresas presentes nesta “lista suja” são obrigadas a solicitar licenças ao Departamento de Comércio para receber itens de fornecedores norte-americanos. Elas enfrentam um exame minucioso por parte do governo dos EUA para conseguir uma permissão. Porém, estar presente na relação do órgão não impede uma empresa de vender produtos no país.

Drone da DJI: equipamentos da marca estariam sendo usados para vigiar e reprimir minorias na China segundo governo dos EUA (Foto: Divulgação / dji)

Em maio de 2019, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos já havia alertado as empresas americanas sobre os riscos do uso indevido de dados que seriam coletados ​por drones de fabricação chinesa. No entanto, em uma ação paralela efetuada ainda neste mês, os legisladores dos EUA optaram por não proibir a compra de tecnologia chinesa de drones por agências americanas como parte de um projeto de lei anual de defesa.

Entenda o caso

Ao incluir a DJI na “lista suja” do Departamento de Comércio, o secretário da pasta Wilbur Ross, criticou o que chamou de “vigilância onipresente da China para reprimir a minoria muçulmana uigur na região Xinjiang e em outros lugares”. O governo dos EUA já havia levantado preocupações sobre a fabricante e outras empresas chinesas de drones.

Além da fabricante de drones, o governo americano incluiu ainda a AGCU Scientech, China National Scientific Instruments and Materials e a Kuang-Chi Group. Segundo as autoridades do país, essas empresas “permitiram abusos em larga escala dos direitos humanos na China por meio de coleta e análise genética abusiva ou vigilância de alta tecnologia”. O departamento também disse que, em alguns casos, “as quatro empresas facilitaram a exportação de itens pela China que auxiliam regimes repressivos em todo o mundo, contrariando os interesses da política externa dos EUA”.

Tensões ao longo do mandato

Com o mandato no fim, o governo de Donald Trump tem como uma das suas principais marcas o embate comercial e tecnológico com a China, que foi reforçado em 2020. E o setor de drones foi apenas um deles.

A que mais sofreu foi a Huawei. Por um lado, Trump usou a fabricante chinesa como alvo principal e criou uma série de sanções para sufocar a companhia. Primeiro, vem fazendo pressão junto aos países aliados dos EUA para que eles possam banir a Huawei de suas infraestruturas de rede 5G, onde a empresa é líder de mercado e em termos de tecnologia.

Segundo, a Huawei também foi colocada na lista suja do Departamento do Comércio, impedindo que empresas americanas negociem com a fabricante. E isso inclui gigantes como o Google (que fornece licenças do Android para os smartphones da marca) e a Microsoft (que vende licenças do Windows para os seus notebooks). Além disso, as sanções impedem que fabricantes de processadores de outros países, mas que usam tecnologia norte-americana em seus componentes, também vendam seus produtos para a Huawei.

Com isso, a companhia chinesa teve o lançamento de novos celulares totalmente comprometido nesse ano. E ainda corre o risco de perder a segunda colocação no mercado para Apple e Xiaomi.

Xi Jinping e Trump: tensões ao longo dos últimos quatro anos entre os dois países (Foto:  Shealah Craighead / Wikimedia)

Mas além da Huawei, outras empresas chinesas entraram na mira do presidente norte-americano, com o ultrapopular TikTok também presente na alça de mira do mandatário. Sob a alegação de que a rede social de vídeos curtos enviava dados de cidadãos norte-americanos para o governo chinês (sempre lembrando: sem provas de que isso ocorra), Trump fez de tudo para banir o aplicativo do país. E isso só não ocorreu porque os tribunais impediram. No entanto, Oracle e Walmart já detêm 20% de participação da empresa e a tendência é que o controle da plataforma fique cada vez mais sob companhias e investidores dos EUA.

Por fim, Trump também quis expulsar o WeChat, o superapp da Tencent, dos EUA. No entanto, as consequências desse banimento seriam mais complicadas. Isso porque banir o aplicativo do país afetaria empresas norte-americanas que têm negócios com a China.

Banir o WeChat impediria que 228 milhões de iPhones ativos no país asiático usassem o app e, consecutivamente, consumissem dentro das mini lojas de companhias como Tesla, Starbucks e Walmart. E claro, a Apple também seria duramente atingida, já que os chineses preferem abrir mão do iPhone a ter de deixar de usar o superapp. Mas, assim como aconteceu com o TikTok, os tribunais norte-americanos impediram o banimento do aplicativo.

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