segunda-feira, abril 5

Melhor ter 50 mil acionistas do que 1, diz CEO sobre IPOs da Caixa

Pedro Guimarães, presidente da Caixa, estava em Nova York conversando com investidores sobre o IPO da Caixa Seguridade (o banco já havia feito o primeiro filling) quando a pandemia atropelou seus planos. “Comecei a ver a bolsa americana caindo 10% por dia. A crise ainda não tinha chegado no Brasil. Resolvi então cancelar a operação”, disse em entrevista à EXAME Invest.

Agora, passado mais de um ano do início da pandemia no país, os planos de abrir capital de todas as subsidiárias da holding controladora do banco estão sendo retomados. Então, tenho autorização para a autorização de todas as subsidiárias. Não tenho da holding. Portanto, esse assunto não é uma discussão”.

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Apesar de já ter sido ventilado o IPO do banco digital acessado pelo app Caixa Tem, a oferta pública inicial de ações está no final da fila. A prioridade é a Caixa Seguridade, seguida pela operação de cartões (o banco tem participação de 33% na Elo), a asset e, por fim, o banco digital. “A Caixa Loterias é uma operação mais complexa. Não há tranquilidade jurídica para vender a operação. Se não for 100% pública, pode provocar discussões. Então, ela não está incluída nesta estratégia”.

Já em processo de IPO, a Caixa Seguridade é a operação mais madura entre as subsidiárias do banco estatal. Saiu da sexta posição em seguro residencial e da terceira posição no seguro prestamista para a liderança em ambos os segmentos em um ano de pandemia.

Guimarães explica a estratégia. “Queremos abrir capital, seja onde for, para acelerar o crescimento dessas unidades de negócios. O intuito é realizarmos joint ventures, com governança. Isso porque, como uma empresa estatal, não temos como competir em tecnologia no mercado sem essas parcerias. É um passo lógico”.

A listagem, diz o executivo, permite melhorar a governança do banco, além de ajudá-lo a crescer. “É uma forma de cobrar a gestão, já que 50 mil acionistas olhando é melhor do que um. A Caixa não tem hoje empresas listadas. Quando assumi o banco, ele estava desde 2016 sem balanço auditado ou era auditado com ressalvas. Quando começamos, rapidamente retiramos a ressalva”.

O diferencial perante os concorrentes, aposta Guimarães, é o ativo grande e único da holding, que consiste no pagamento de 30 milhões de benefícios sociais mensais. “Criamos o banco digital em um momento crucial da pandemia. Então, mesmo nosso ativo mais recente já provou sua capacidade. O aplicativo Caixa Tem passou por 27 atualizações. É mais fácil receber pelo banco digital do que pelo banco. Prova é que existem mais chaves PIX cadastradas no banco digital”.

Guimarães argumenta que a operação poderia ser feita por concorrentes nas grandes capitais, mas não em minúsculas cidades do interior do Brasil. “Temos 26 mil pontos de vendas físicos e um perfil de cliente que muitos bancos não têm”.

O executivo espera que o perfil de investidores das subsidiárias tenha maior participação do varejo do que outras ofertas de ações semelhantes. “As pessoas conhecem a marca. Por isso temos uma grande responsabilidade ao vender as operações. Pretendemos prometer e cumprir e, dessa forma, gerar confiança para o investidor”.