segunda-feira, fevereiro 22

Lojas Americanas dispara 14% e B2W salta 6% com possível combinação de negócios

Em dia predominantemente negativo no Ibovespa, as ações da Lojas Americanas (LAME4) e B2W (BTOW3), dona das marcas Submarino, Americanas.com e Shoptime, destoam no mercado e disparam 13,79 e 5,60%, respectivamente, nesta segunda-feira, 22. O movimento ocorre após as companhias anunciarem, na noite da última sexta-feira, a criação de um comitê independente para estudar uma “potencial combinação operacional” de seus negócios.

Em relatório desta data, os analistas da Exame Invest Pro comentam que, embora ainda não tenham mais detalhes sobre como a combinação de negócios ocorrerá — e, por isso, ainda não seja possível mensurar a potencial geração de valor para os acionistas –, ainda assim, veem o movimento como “muito positivo” para as empresas.

“Com ambas as marcas consolidadas, o ganho de eficiência seria em toda a cadeia com uma plataforma realmente multicanal, maior capacidade de logística, base de clientes mais ativa e um tráfego de informação muito mais integrado, envolvendo de forma mais direta o mundo online e offline”. Eles acrescentam também que o crescimento inorgânico não seria mais dividido entre as companhias, assim como foi no caso de Ame, o que poderia gerar ainda mais sinergias entre as empresas.

Para eles, o mais provável é que a B2W incorpore as Lojas Americanas tendo em vista o montante relevante de crédito fiscal detido pela B2W no valor de 3,4 bilhões de reais, acumulado ao longo dos anos de prejuízo da empresa.

As Lojas Americanas possuem 62% da B2W e formam juntas uma grande plataforma multicanal, mas ainda não 100% integradas. “Se combinadas, terão uma base de 46 milhões de clientes e um valor bruto de mercadorias vendidas (GMV, na sigla em inglês) esperado de aproximadamente 42 bilhões de reais para 2020, equivalente às nossas expectativas inclusive para Magazine Luiza (MGLU3)”, comentam.

Os analistas mantiveram recomendação de compra para Lojas Americanas e o preço-alvo em 37,50 reais, o que implica em um potencial de valorização de 55,3% frente ao último fechamento.

Em relação ao valuation de Lojas Americanas, eles apontam ainda que o mercado subavalia a operação de varejo físico da companhia, com as ações sendo negociadas — considerando apenas a parte de varejo físico — a 12,1 vezes o indicador Preço sobre Lucro (P/L) estimado para este ano, contra uma média acima de 25 vezes das demais varejistas listadas na Bolsa. “Acreditamos ser factível somente a operação de lojas físicas da companhia negociar próximo à média do setor”.