sexta-feira, abril 2

Lego Investimentos: expansão com avanço da agenda ESG no agronegócio

A agenda sustentável, parte do acrônimo ESG (sigla em inglês para as boas práticas ambientais, sociais e de governança nas empresas), vem ganhando espaço nas operações de crédito de grandes bancos brasileiros. E, de quebra, a preocupação ambiental está mudando o dia a dia de quem tem a missão de disseminar produtos financeiros Brasil afora.

Nesta semana, o BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME) fez a primeira operação de financiamento sustentável. Pelo mecanismo, o banco abriu uma linha de financiamento de 100 milhões de reais à gaúcha Olfar Alimento e Energia, uma das maiores fabricantes de biodiesel no país. 

Em troca do crédito, a Olfar se comprometeu a ampliar a aquisição de matérias-primas vindas da agricultura familiar. Além disso, a empresa deverá ampliar as estruturas para retorno de embalagens de biodiesel usadas – a chamada logística reversa.

Se cumprir os objetivos sustentáveis, a Olfar ganhará uma redução anual de 0,15% nas taxas de juros dos empréstimos ao longo dos quatro anos da operação financeira.

A operação de crédito foi indicada ao BTG pelas mãos dos assessores de investimentos Thiago Aidar, 26 anos, Pedro Paulo Menezes, 27, e Mateus Borges, 27, sócios da Lego Investimentos, um escritório de Goiânia plugado ao ecossistema do BTG desde o início de 2020.

Jovens egressos de universidades de ponta, como Fundação Getulio Vargas e Insper, em São Paulo, os sócios têm uma experiência diversificada apesar da pouca idade. Antes de montar a Lego, Aidar trabalhou na estruturação de fundos imobiliários; Menezes foi sócio de uma boutique de fusões e aquisições; Borges, por sua vez, acumula experiência em fintechs.

Naturais de Goiânia, os três montaram a Lego para ampliar o acesso a produtos financeiros sofisticados na região, sede de grandes grupos empresariais e de cadeias produtivas complexas, como a farmacêutica e a do agronegócio. “Ainda existe uma assimetria entre a realidade do Centro-Oeste e a do Sudeste no quesito investimentos”, diz Menezes. 

A oferta de produtos atrelados à agenda sustentável é, hoje, um dos focos da Lego. “Muitos fundos já têm a filosofia ESG e, na ponta dos clientes, há demanda”, diz Aidar. 

Um exemplo é a busca crescente de informações por parte de clientes do agronegócio por compromissos ambientais como o da Olfar em contrapartida ao barateamento do crédito em produtos como os certificados de recebíveis do agronegócio, os CRAs. 

Em pouco mais de um ano a Lego chegou a um patrimônio de 230 milhões de reais dos clientes. “Começamos do zero o negócio na mesma semana do crash da bolsa”, diz Aidar, em referência aos sucessivos tombos da B3, a bolsa brasileira, em meio aos primeiros casos da pandemia no Brasil, em março de 2020. 

Os negócios cresceram em meio aos solavancos da economia brasileira neste período por causa de um desejo de clientes private, foco da Lego, de diversificar o portfólio num cenário de queda da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, e de perda de rendimento de produtos convencionais de renda fixa com rendimento atrelado à Selic, como os títulos públicos. 

Mesmo com o repique da inflação, que vem obrigando o Banco Central a elevar a Selic para combater o aumento dos preços – o que, em teoria, aumentaria de novo a atratividade de produtos de renda fixa –, os sócios da Lego apostam que o apetite pela diversificação vai continuar. 

“Estamos otimistas de que o Brasil dos juros baixos vai continuar por bastante tempo e mais gente vai buscar sofisticação nos investimentos”, diz Menezes. 

No ritmo atual de captação de clientes, os sócios preveem chegar ao fim de 2022 ultrapassando a importante marca de 1 bilhão de reais de patrimônio – o que o posicionará como um escritório de investimentos de grande porte na região Centro-Oeste. Os sócios contam com mais demandas na agenda ESG para chegar lá.