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Inadimplência cai para 3% em novembro, menor patamar desde 2011, diz BC

Na sexta queda mensal seguida, a taxa de inadimplência no sistema financeiro chegou a 3% em novembro, o menor índice da série histórica iniciada em março de 2011. O número foi divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira.

A inadimplência vem caindo durante todo o período da crise. Em abril, mês com impacto econômico mais duro da pandemia, ela estava em 4%, se manteve nesse patamar em maio e foi caindo seguidamente, chegando a 3,6% em julho, 3,2% em setembro e agora 3%. Esses números se referem às concessões em recursos livres.

A trajetória de queda é a mesma para empresas e pessoas físicas, apesar dos patamares diferentes. Em abril, a taxa estava em 5,5% para pessoas físicas e 2,4% para jurídicas. Em novembro, esses índices caíram para 4,3% e 1,5%, respectivamente.

Essa queda na inadimplência é explicada por alguns efeitos da crise do coronavírus. O auxílio emergencial teve um impacto grande na renda de muitas famílias, o que pode ter evitado que elas deixassem de pagar seus compromissos.

Outro fator foram as renegociações dos contratos de empréstimos. Prevendo o choque da crise nas empresas e nas famílias, algumas instituições financeiras estimularam a renegociação para evitar a inadimplência, concedendo períodos de carência ou prazos maiores de pagamento.

Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, afirmou que a alta no saldo total de empréstimos no país também ajuda a explicar a queda na inadimplência.

“A inadimplência é uma razão do saldo em atraso dividido pelo saldo total. Com as renegociações você evita que o saldo fique em atraso, você impede que o numerador da dívida suba, só que o crescimento do saldo total de crédito também contribui para reduzir a taxa da inclemência, porque aqui o seu denominador vai crescendo. Então aquele mesmo saldo em um denominador que cresce significa uma proporção menor”.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, destaca que os bancos ficaram rigorosos no processo de concessão durante a pandemia e só emprestaram para quem apresentava um risco menor de calote. Agostini cita também que as pessoas tendem a honrar os empréstimos em um momento de crise para manter o canal de crédito em caso de alguma dificuldade.

“Essa renegociação de dívida na pandemia ajudou os bancos, que continuaram com lucros bastante significativos e com uma queda da inadimplência. Isso é importante porque abre uma perspetiva muito positiva para 2021, com o crédito crescendo com o devido controle da inadimplência, que em geral é uma preocupação, mas não é um problema ainda”.

Na avaliação de Homero Guizzo, economistas da Guide Investimentos, as taxas devem subir em 2021. Nesse sentido, o economista explica que o fim do auxílio emergencial e uma “piora adicional” no mercado de trabalho no próximo ano devem contribuir para o aumento da inadimplência.

“Muita gente usou o auxílio emergencial para resolver a situação financeira com os bancos. O fim dele vai reduzir a massa de rendimento disponível para as famílias e vai motivar uma redução de demanda, ter impacto sobre emprego e essa cadeia de eventos vai acabar resultando em aumento da inadimplência”.

Cheque especial e rotativo

As duas modalidades de crédito mais caras do mercado mostraram uma estabilidade nos últimos meses. A taxa de juros mensal do cheque especial permanece na média de 6,5% ao mês desde agosto, com apenas variações na taxa anual. A modalidade continua sob o teto de 8% ao mês estabelecido pelo Banco Central no início do ano.

Já o cartão de crédito rotativo (quando o cliente não paga o valor integral da fatura até a data de vencimento) registrou a segunda subida mensal seguida e chegou a 12,7% ao mês em novembro. A variação, no entanto, foi mínima, apenas de 0,1 ponto percentual.

Concessões

O volume de concessões de crédito em novembro registrou um crescimento depois de uma queda em outubro. No total, foram concedidos R$ 376 bilhões, 6,4% a mais do que no mês anterior. Para pessoas físicas, a concessão foi de R$ 204,8 bilhões e para empresas, o volume foi de R$ 171,2 bilhões.

No crédito de capital de giro, muito procurado por empresas para auxiliar na manutenção dos empreendimentos durante a crise, os patamares continuam elevados na comparação com o ano passado.

“As empresas ainda estão colocando a casa em ordem, principalmente o setor de serviços, como transporte aéreo, terrestre, hotéis, ainda estão passando por um ajuste de caixa e começa a voltar agora. A ideia é que deve ter uma normalização do capital de giro em seis meses. A situação começa a ficar a melhor quando estiver consolidado o cenário de pandemia, de imunização”, disse Agostini.

Só em novembro, R$ 38,4 bilhões foram concedidos, um número 16,1% superior ao de outubro e um pouco menos que o dobro dos R$ 21,2 bilhões registrados em novembro de 2019.

A maior parte desses empréstimos têm prazo de pagamento maior do que um ano e cresceram 10,1% na comparação com o mês anterior. Já o crédito com prazo inferior a 365 dias, apesar de representar uma parte menor das concessões, registrou um crescimento de 46,8% ante outubro.

Na análise do chefe do Departamento de Estatísticas do BC, o aumento na concessão do crédito de pagamento mais longo mostra que já há um começo de demanda de crédito para expandir a atividade, não para manter o funcionamento das empresas em um período de baixo faturamento.

“Claro que a incerteza continua grande, mas acho que está menor do que estava no segundo trimestre e além disso, a atividade está muito maior do que estava lá. Você já tem um começo de demanda de crédito para expandir a atividade, para as empresas seguirem seu rumo”.

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