sábado, fevereiro 27

Huawei deve reduzir produção de celulares em mais de 60% neste ano, diz site

Após o governo do novo presidente dos EUA Joe Biden ter dado a entender que não aliviará as sanções contra a Huawei, fornecedores da cadeia de suprimentos asiáticos revelam que a marca chinesa estaria pensando em reduzir sua produção de celulares pela metade este ano. As informações são do site Nikkei Asia.

De acordo com fontes do setor, a Huawei teria notificado seus fornecedores para produzir componentes para cerca de 70 e 80 milhões de celulares em 2021. A faixa representa uma queda de mais de 60% em relação à 2020, quando a companhia despachou aproximadamente 189 milhões de unidades.

Desde setembro passado, quando a Huawei ficou impedida de adquirir peças e tecnologias de origem norte-americanas, a companhia tem lidado com baixos estoques de componentes para suas linhas de celulares premium — os processadores Kirin, por exemplo, são fabricados pela taiwanesa TSMC, mas com soluções de fabricantes dos EUA.


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Kirin 9000 foi o último chip da Huawei (Imagem: Reprodução/Huawei)

Os pedidos de componentes da empresa foram limitados a modelos com 4G, já que a marca chinesa não tem permissão do governo dos EUA para importar peças para modelos com a nova tecnologia de rede móvel. Isso reforça rumores de que a Huawei teria planos de vender suas linhas de celulares premium, já que não haveria componentes suficientes para produção.

Embora seja uma grande perda no mercado de celulares, a saída da Huawei do segmento premium não seria uma surpresa — em novembro do ano passado, a fabricante vendeu a marca Honor, que também era afetada pelas restrições norte-americanas por fazer parte do guarda-chuva da chinesa. Inclusive, com a separação, a Honor reestabeleceu contato com grandes fornecedores, como Qualcomm e Samsung.

Do topo ao flop

Segundo analistas ouvidos pela consultoria TrendForce, a previsão é de que a Huawei tenha apenas 4% de participação no mercado de celulares em 2021. Naturalmente, um dos principais motivos apontados para a queda são os problemas para obter componentes, mas a independência da ex-subsidiária Honor também está entre os impulsionadores.

Em 2019, quando as primeiras restrições contra a Huawei começaram, a marca chinesa detinha 17% de participação do mercado, à frente das conterrâneas Xiaomi, Oppo e Vivo. Um ano depois, já proibida de utilizar os serviços do Google em seus smartphones, sua fatia reduziu para 14%. Agora, com a falta de componentes e separação com a Honor, a porcentagem deve cair ainda mais, preevem os analistas.

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