domingo, março 7

HQs e super-heróis: confira reviews dos destaques da Marvel e DC em fevereiro

O que aconteceu de mais relevante no mercado de quadrinhos norte-americano no mês que passou? A resposta está aqui, com uma lista resumida das principais edições lançadas em fevereiro, especialmente da Marvel Comics e DC Comics.

Vale lembrar que, a cada semana, o mercado gringo recebe muitas edições, então, as “escolhidas” abaixo contam com um resumo rápido e alguns comentários. Várias dessas novidades chegarão ao Brasil muito em breve; e o objetivo aqui é também chamar atenção para coisas que têm grandes chances de influenciar as adaptações para TV e cinema. Você sempre pode acompanhar os lançamentos lá fora por meio do site Comic List.

Então, vamos lá, lembrando que este conteúdo traz uma boa dose de spoilers! Fique avisado.


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DC Comics

A editora segue em seu momento de reformulação, apresentando novas versões de seus principais heróis em uma nova geração, enquanto os personagens da “velha guarda” realmente aparecem mais velhos, em missões pessoais ou objetivos maiores. Essa fase, que antecede o reboot Infinite Frontier e vem depois da megassaga Dark Knights: Death Metal, acontece em diferentes pontos do futuro do Multiverso (agora Omniverso) DC, chamada de Future State.

Só para resumir, ao final de Death Metal, todas as 52 Terras do Multiverso foram restabelecidas, assim como o conceito de Hypertime, que prevê infinitas linhas temporais de uma mesma realidade. Além disso, agora são vários Multiversos, mais as versões sombrias dessas Terras, no que a DC chama de Omniverso. Todas as mudanças vistas na editora ao longo das décadas são levadas em consideração e os personagens se lembram de tudo. Há até uma nova noção, chamada de Linearverse, que explica como os heróis não envelheceram no ritmo natural — mas vamos deixar isso para outro dia.

Imagem: Reprodução/DC Comics

O mais importante para os leitores e autores é que, a partir de agora, as histórias devem ter arcos que se comunicam, mas que não ficam mais presos à alguma alteração cronológica do passado. É uma ideia que vem se desenrolando aos poucos, e ainda não dá para compreender em sua totalidade; mas que promete facilitar a entrada de novos fãs porque, ao que parece, teremos cenários mais contidos e contados como se fossem “temporadas” de uma série.

Até agora, a maneira mais fácil de entender isso é classificar as tramas que se conectam diretamente como um “cantinho” que pode se ligar à uma ambientação maior, com a interação de diferentes Terras do Omniverso e possibilidades do Hypertime. Ou seja, é como você assistir ao Arrowverse do canal CW, mas saber que as séries podem se misturar com o que está em Patrulha do Destino ou Titans, que nasceram no DC Universe e agora estão no HBO Max.

Future State – The Next Batman #3 e #4

Imagem: Reprodução/DC Comics

O “próximo Batman” Tim Fox tem abordagens diferentes de Bruce Wayne no combate às ameaças de Gotham. Mas, no cenário descrito por aqui, os vigilantes são considerados criminosos, e estamos em um futuro em que os Magistrados vigiam as ruas com o poder de julgar e executar os “foras-da-lei” — tudo com a ajuda de novos gadgets e máquinas de controle.

A revista faz questão de mostrar uma nova ordem de poder em Gotham, diferente das brigas de gangue e de tramas noir. Aqui, Tim entende e “legislação” dos Magistrados, assim com a maneira como eles agem e os agentes e máquinas enviadas para retaliação. Essa é sua grande diferença em relação a Bruce Wayne.

Future State – Dark Detective #3 e #4

Imagem: Reprodução/DC Comics

No primeiro encontro entre o Batman “das antigas” e do “próximo Batman”, vemos que Bruce, agora sem recursos de sua fortuna, está bem ciente que Tim veste seus trajes e usa seus aparatos. A relação de ambos e de “frenemies”: Tim preza pela vida de Bruce, mas este, claro, insiste em continuar investigando os crimes que o Magistrado ignora.

O tom das novas aventuras de Bruce segue a tradicional história de detetive, mas em uma ambientação neo noir, em uma Gotham City que parece ter sido engolida por Blade Runner. Confesso que tem sido muito interessante ver como um Batman sem a grana das empresas Wayne se vira no seu papel.

Future State – Superman of Metropolis #2

Imagem: Reprodução/DC Comics

Além de lidar com as ameaças de uma Metropolis tão vigiada quanto Gotham, o novo Superman, Jonathan Kent, precisa provar que pode fazer jus ao nome que seu pai carregou por tantos anos na Terra. Aqui, ele superar essa sombra e encontrar seu próprio caminho e a trama, que envolve um vírus de Brainiac em sua base, mostra as várias versões do Homem de Aço (desde 1930 até as de hoje) dando “sermões” e distribuindo porrada em Jonathan.

No final, com a ajuda da Supergirl, com que ele já mostrou certo atrito, Jonathan encontra uma voz própria para poder ajudar o povo de Metropolis da maneira como ele acredita ser mais adequado nesse cenário futurista sci-fi. Por isso, ele passa a se autodenominar “Superman of Metropolis”.

Future State – Superman – Worlds of War #2

Imagem: Reprodução/DC Comics

Kal-El deixou a Terra para cumprir “missões maiores”, que envolve vários planetas de diferentes galáxias. Este Superman está mais maduro e poderoso, e também mais proativo no combate aos vilões. Neste arco, em especial, vemos como a Terra sente a falta a ausência do tradicional Homem de Aço, enquanto ele luta em arenas como gladiador, em uma história que envolve, claro, Mongul.

Os eventos dessa revista têm conexão íntima com o que falaremos na sequência em House of El.

Future State – Superman – House of El #1

Imagem: Reprodução/DC Comics

Em um futuro mais distante, vemos um grupo de descendentes kryptonianos tentando manter o legado de Kal-El, como a Casa de El, uma instituição que reúne todos aqueles que acreditam no mote “confiança e justiça” deixada por um desaparecido Superman. A ambientação aqui é de ficção científica pesada, lidando com guerreiros de vários planetas, em um conflito semelhante ao que vemos em Game of Thrones.

No final, vemos o retorno de um já envelhecido, grisalho e superpoderoso Kal-El, que retorna para orientar seu filho Pyrros (sim, mais um) e o próprio legado da Casa de El. A trama só apresentou os personagens e o conceito, que devem ser explorados em breve. Promissor.

Future State – Wonder Woman #2

Imagem: Reprodução/DC Comics

A nova Mulher-Maravilha brasileira, Yara Flor, tem o tipo de humor “rindo do perigo”, que mistura poder e inconsequência de uma maneira que qualquer adolescente pode entender bem. A heroína tupinquim é debochada e igualmente poderosa à amazona, que também pode ser chamada aqui de “matadora de deuses.

Aliás, um dos charmes dessa nova frente é abordar mais mitologias, já que Diana costumava ficar presa em suas tragédias greco-romanas. Aqui, vemos até mesmo alguns termos e criaturas de nosso próprio folclore, como “potira”, “esquecida”, Boitatá e Caipora.

Future State – Immortal Wonder Woman #2

Imagem: Reprodução/DC Comics

Desde o final de Death Metal, a DC Comics elevou o status de Diana Prince para o nível de uma entidade cósmica essencial para a manutenção do equilíbrio do novo Ominiverso DC. Aqui, vemos justamente a jornada dela tentando se desapegar de seus sentimentos e lembranças mundanas para se tornar um “ser superior”.

Isso envolve abraçar a nova condição, com a ajuda do Espectro. A Mulher-Maravilha se torna, definitivamente, uma divindade no novo Universo DC, deixando suas outras representantes, Núbia e Yara Flor, nas funções que ela ocupava anteriormente na Terra. Veremos o que vem por aí.

Marvel Comics

Na Casa das Ideias, o próximo grande evento se chama Heroes Reborn, que vai mostrar um mundo em que os Vingadores não existem e os chamados heróis são os superseres extremos do Esquadrão Supremo da América. Enquanto isso, a saga King in Black continua mostrando o avanço do deus simbionte Knull tentando dominar a Terra e todos os outros planetas da galáxia.

Em King in Black #4 vemos Dylan, filho do Venom Eddie Brock que possui a capacidade de bloquear os poderes sombrios de Knull, tentando resistir aos simbiontes. Enquanto Thor se recupera após ser mortalmente ferido pelo vilão, Doutor Estranho se torna superpoderoso, em uma aparição que o faz lembrar um deus supremo da magia. O Homem de Ferro, de posse de um Celestial, une forças com o Homem-Aranha e Namor, que abalam as defesas do oponente.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Jean Grey entra na cabeça de Knull, que distraído oferece uma rara oportunidade para uma ajuda do espaço abrir o bloqueio de simbiontes que cobriu a Terra: o Surfista Prateado, em sua nova fase “Black”, agora age como um verdadeiro avatar da luz no Universo Marvel. E a edição termina com Reed Richards dando um nome à energia que sempre aparecia no passado como “Capitão Universo”: ela é chamada de “Enigma Force” e termina a edição dando poderes a Eddie Brock, que lutava pela vida em uma cama de hospital.

Agora resta aguardar pela última edição, que chega às bancas gringas neste mês.

Avengers #42

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Aqui, os Vingadores seguem tentando mostrar quem é o mais apto a ser o novo hospedeiro da Força Fênix. Enquanto Namor e Shang-Chi levam a melhor em suas lutas — este contra o Capitão América —, vemos vários outros embates para saber quem será o escolhido.

Mas o que a trama esconde é a real intenção da Fênix, que encerra a edição se aproximando de Thor para fazer uma revelação chocante: ela diz que se veio para a Terra para mostrar o segredo que Odin guarda há séculos, que, na verdade, ela é sua mãe. A próxima edição encerra este arco e é o começo da saga Heróis Renascem, com um mundo sem Vingadores, então, pode esperar por uma treta que vai alterar a realidade.

The Legend of Shang-Chi #1

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Esta edição, assim como as outras que comento abaixo, mostram bem como a Marvel Comics trabalha em sincronia com o Marvel Studios. Na trama vemos Shang-Chi tentando recuperar uma espada poderosa, com o antagonismo de Lady Deathstrike e uma abordagem mais “moderna” para exibir as habilidades e o cenário em que o personagem vive.

Embora a edição não seja assim grande coisa, serve como curiosidade para ver como o herói deve ser tratado nas telonas, já que seu filme está previsto para chegar aos cinemas em julho deste ano.

Strange Academy #8

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Gostou de WandaVision? Bem, antes do lançamento da série, a Marvel Comics já vinha posicionando seus heróis místicos em mais títulos que pudessem abrigar propriedades esquecidas e explorar melhor alguns personagens com potencial. Essa revista mensal serve como uma “Hogwarts” da Marvel, com os jovens bruxos sendo treinados por Agatha Harkness e Doutor Estranho.

O clima é de comédia colegial adolescente, com direito aos desenhos cartunescos de Skottie e Humberto Ramos.

King in Black – Black Knight #1

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Aqui há uma grande mudança de status no personagem, algo que pode ecoar diretamente na participação de Kit Harington como o Cavaleiro Negro no filme dos Eternos — falo sobre eles na sequência. Esta edição reposiciona a lenda de Camelot da Marvel com a presença de Knull, que estaria por trás da concepção da Espada de Ébano.

Antes, Dane Whitman acreditava que Merlin havia dado a espada a seu ancestral Percy pelo fato de sua linhagem ter o coração puro o suficiente para suportar a sede de violência do artefato. Mas o que ele descobre é que, na verdade, tanto Percy quanto ele conseguem empunhar a Espada de Ébano porque possuem a alma sombria que ela precisa para liberar seu verdadeiro poder. É uma alteração que deixa o personagem interessante, ainda mais em uma ambientação moderna, como na revista.

Eternals #2

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O retorno dos Eternos ao Universo Marvel tem sido contado de maneira épica, com desenhos caprichados de Esad Ribic, um dos astros que fez das últimas Guerras Secretas um sucesso. Uma das coisas interessantes é ver como os 100 Eternos e 100 Deviantes estão espalhados em núcleos na Terra ao longo dos séculos e o conceito de imortalidade dessas castas.

Os Eternos podem reconfigurar suas estruturas moleculares, o que os permitem se teletransportam imediatamente para qualquer local da Terra, desfazendo seu corpo e reintegrando cada parte em outro local. Em um exemplo de como eles podem se safar em uma briga, Thanos arranca a cabeça de Ikaris, que mesmo assim consegue se recompor integralmente perto do confronto. Aliás, a presença do Titã Louco também indica que ele pode dar as caras no filme que chega no final do ano.

IDW

Teenage Mutant Ninja Turtles — The Last Ronin #2

Imagem: Reprodução/IDW Comics

Continuo seguindo a trama que mostra um futuro apocalíptico em que somente Michelangelo sobrevive entre as falecidas Tartarugas Ninja. Aqui vemos um pouco mais como aconteceu a queda do grupo e de seu líder Splinter, algum tempo antes da Mão conseguir dominar a ilha de Manhattan. April O’Neil e Casey Jones estão casados, enquanto recebem a equipe e Splinter mortalmente ferido. E aí que vemos como aconteceu a morte de Raphael, nas mãos de uma ninja parecida com Elektra — que, ironicamente, também usa adagas Sai.

Enquanto isso, no presente, já vemos uma April mais velha, sentindo a falta de seu marido morto; e Michelangelo “conversando” com seus irmãos mortos. Há duas revelações interessantes aqui: a presença de Casey, filha de April com Casey Jones; e indicações de que Michelangelo vem sofrendo uma nova mutação, que o deixa mais poderoso, mas também meio doido. Continuamos seguindo.

Até o próximo mês!

Obviamente, não dá para comentar tudo o que saiu no mercado norte-americano nas quatro semanas anteriores, mas essas edições são as que mais fizeram barulho em outubro e prometem ter relevância nas editoras (e em suas outras mídias) nos próximos meses.

Continuem lendo as matérias de quadrinhos e toda a cultura pop aqui do Canaltech. A coluna retorna no primeiro domingo de abril. E quem quiser me acompanhar no Twitter e saber das matérias relacionadas que saem durante o período, é só me seguir no @clangcomix. Até logo!

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