quarta-feira, maio 12

Fator, Necton, Kawa e vem mais: a estratégia por trás das compras do BTG

Virou piada até no Faria Lima Elevator (veja abaixo): o BTG Pactual (BPAC11) surpreendeu o mercado na abertura da semana com a aquisição da Fator Corretora, por valor não divulgado.

É uma lista que vai crescendo ao longo dos últimos três anos e que inclui a Kawa Capital, a Kinvo, a Necton Investimentos, a Ourinvest e a Network Partners, para ficar nos negócios mais conhecidos no mercado de capitais, além da sociedade com a EQI e outros escritórios de agentes autônomos.

Para Marcelo Flora, sócio do banco responsável pelo BTG Pactual digital, os negócios se inserem na estratégia de ganho de escala e de rentabilizar o investimento superior a 1 bilhão de reais realizado na plataforma digital.

“Temos crescido organicamente de forma muito acelerada, mas esses negócios nos ajudam a escalar de forma ainda mais rápida”, disse Flora à EXAME Invest. “Trazer mais clientes e mais ativos acelera o payback do projeto, pois a plataforma está pronta.”

Flora revela que o banco deve anunciar mais uma aquisição, cujas negociações estão em estágio “avançado”, nos próximos 30 dias, talvez até em menor prazo.

“Já temos um MOU (memorando de entendimento) assinado e falta a documentação definitiva.” Segundo ele, trata-se de uma aquisição maior do que a da Fator Corretora.

Ao fim do ano passado, o BTG Pactual tinha mais de 630 bilhões de reais sob gestão (AuM), incluindo as áreas de Asset Management e de Wealth Management, com clientes de tíquete médio mais elevado.

O executivo explica que o BTG Pactual digital, por sua vez, atua por meio de quatro grandes canais:

1) B2C: foi a primeira operação e que conta com o marketing online para a aquisição de clientes.

2) B2B: É a operação que foi resultado da aquisição da Network Partners em 2018. É a frente dos agentes autônomos.

3) Advisors: Frente que nasceu a partir da aquisição da Ourinvest em 2019. Os assessores são funcionários e comissionados.

4) Necton: É a frente que atua de forma independente, com forte atuação junto a investidores institucionais, que respondem por mais da metade das receitas nesse canal. Veio da aquisição anunciada em outubro passado.

“Na aquisição da Fator Corretora, a marca fica com a Fator, e nós distribuímos os clientes e os agentes autônomos entre os três primeiros canais. Será uma integração de forma muito simples”, explica Flora. No caso da Fator Corretora, o BTG decidiu não revelar tanto a base de clientes como os ativos sob custódia (AuC) que serão incorporados.

As negociações começaram mais de um ano e meio atrás, com avanço nos últimos seis meses.

As aquisições se inserem também no movimento de consolidação do mercado para o investidor de varejo, em linhas com duas mudanças estruturais: os menores juros básicos da história do país, que aceleram a migração do investidor para produtos mais sofisticados — é o fenômeno do financial deepening; e o avanço da digitalização, que simplifica e acelera o acesso a informações e a ferramentas de investimento.

Veja abaixo o tweet do Faria Lima Elevator: