sexta-feira, março 5

Enfermeira da Bahia pega COVID-19 antes de tomar a segunda dose da vacina

Com a vacinação contra a COVID-19 passando a ser uma realidade em vários países, inclusive o Brasil, muito se reflete a respeito da importância de se tomar as duas doses. E não é para menos: nesta terça-feira (23), a primeira pessoa vacinada contra a COVID-19 na Bahia  — a enfermeira Maria Angélica de Carvalho Sobrinho, de 53 anos  — foi internada com a doença antes de tomar a segunda dose do imunizante.

No entanto, se ela “já está vacinada”, como é possível que tenha contraído a COVID-19? Quem explica essa questão é a médica infectologista Ceuci Nunes, diretora geral do Couto Maia, durante entrevista ao G1.  “O que aconteceu com Angélica é que ela pegou a doença após a primeira dose, mas antes da segunda dose. Ela ia tomar a segunda dose no dia 16 e, entre 12 e13, começou a sentir um mal estar. Ela está bem, está usando pouco oxigênio, mas quando se movimenta fica um pouquinho desconfortável, por isso ela está sendo mantida ainda no hospital”, observa a especialista.

De acordo com a médica, para a vacinação atingir a eficácia máxima, é preciso que a pessoa tome as duas doses e respeite a janela imunológica. Em outras palavras, deve-se respeitar o período que o organismo leva para produzir os anticorpos do imunizante.”Não é à toa que a vacina são duas doses. Todas as vacinas, até o momento, a exigência é de duas doses. Exatamente porque na segunda dose se faz um reforço, aumenta a proteção. Claro que algumas pessoas já vão ter a proteção após a primeira dose, mas essa proteção pode não ser suficiente e a segunda dose é necessária”, argumenta a médica.


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Enfermeira da Bahia é infectada com COVID-19 antes de tomar a segunda dose da vacina CoronaVac (Imagem: Centers for Disease Control and Prevention/Rawpixel)

O imunizante tomado pela enfermeira Maria Angélica foi a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e que é fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. Essa vacina tem eficácia geral de 50,38%, sendo assim o imunizante reduz pela metade (50,38%) os novos registros de contaminação em uma população vacinada; reduzir a maioria (78%) dos casos leves que exigem algum cuidado médico; e de quebra, nenhum dos vacinados ficou em estado grave, foi internado ou morreu.

Inclusive, em janeiro, o Canaltech fez algumas perguntas para o Dr. Bernardo Almeida (médico infectologista e Chief Medical Officer do laboratório de análises clínicas Hilab) justamente sobre o imunizante em questão, ocasião na qual o especialista ressaltou a importância da segunda dose. “A segunda dose é capaz de amplificar a resposta imune, aumentando a eficácia da vacinação. Além disso, provavelmente aumenta o prazo de imunidade ao longo do tempo”, explicou, na ocasião.

“Uma dose confere uma proteção inicial, porém menor que a encontrada nos estudos clínicos. A segunda dose deve ser prorrogada somente sob orientação do Programa Nacional de Imunização, caso considere essa estratégia benéfica para a saúde pública”, Dr. Bernardo acrescentou. “Se for seguido o protocolo utilizado nos estudos clínicos, [a segunda dose] poderá ser realizada entre 14 e 21 dias após a primeira. Discute-se a possibilidade de prorrogar a segunda dose, prezando pelo benefício de uma dose única para uma proporção maior da população em um primeiro momento. Essa conduta tem sido utilizada em outros países com outras vacinas”, completou.

Depois que tiver a saúde restabelecida, Maria Angélica deverá tomar a segunda dose da vacina, para que seja reforçada a proteção contra a COVID-19. 

Enfermeiro dos EUA pega COVID-19 antes da segunda dose

Além da enfermeira da Bahia, outro caso semelhante já aconteceu nos Estados Unidos: o enfermeiro pegou a COVID-19 entre as doses (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)

No entanto, por mais raro que possa ser, não é a primeira vez que alguém vacinado pega COVID-19 antes de tomar a segunda dose. Matthew W., um enfermeiro de 45 anos de San Diego (EUA), recebeu a vacina da Pfizer em 18 de dezembro. No entanto, seis dias depois, após trabalhar um turno na unidade COVID-19, ele teve calafrios, dores musculares e fadiga. Um teste realizado no hospital confirmou que ele estava infectado.

No entanto, a ocasião levantou olhares para outra possibilidade: como o período de incubação da COVID-19 pode ser de até 14 dias, também pode ser que Matthew já estivesse infectado antes de receber a vacina no dia 18, e só depois que os sintomas surgiram.

Leia a matéria no Canaltech.

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