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Em 1 ano, o sistema desta startup já dá mais de 500 mi em crédito por mês

Pouco antes da pandemia, perto de 45 milhões de brasileiro estavam sem acesso a serviços bancários, segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, de estudos sobre a economia na baixa renda. Ao total, esse público movimenta mais de 800 bilhões de reais por ano em papel-espécie e está longe do mercado de crédito.

As coisas mudaram nos últimos meses por causa do pagamento do auxílio emergencial de 600 reais a autônomos sem renda com o isolamento social. A ajuda do governo federal provocou uma corrida às agências da Caixa Econômica Federal para a abertura de contas digitais capazes de receber os recursos. Ainda assim, a adoção de serviços financeiros no Brasil é ainda aquém do normal em países desenvolvidos.

Para o empreendedor Berthier Ribeiro, facilitar o acesso a produtos financeiros virou uma oportunidade de negócio. Em 2018, Ribeiro fundou a UME, uma fintech dedicada a tecnologias para facilitar a concessão de crédito às camadas da população mais carentes – e, normalmente, sem relacionamento bancário para conseguir empréstimos quando precisam.

Em dois anos, a UME conquistou grandes clientes como as lojas de departamento Havan, presente em boa parte do interior do país, e Bemol, forte no Amazonas.

A UME não divulga valores de faturamento. Apesar disso, um indício da demanda aquecida pelo negócio é o volume de crédito aprovado mensalmente pela plataforma: 500 milhões de reais. “O impacto financeiro nas operações de crédito tem sido expressivo, chegando a aumentar a geração de caixa em 15% dos clientes”, diz Ribeiro.

A tese da UME é a de que a bancarização no Brasil vai ocorrer através da adoção de tecnologias para tornar o crédito concedido no ponto de venda, popularmente conhecido como crediário, é uma realidade muito forte no país.

Popularizado na década de 50 com a forte expansão das Casas Bahia, o crediário continua a ser o principal produto financeiro para a fatia da população de renda mais baixa. “Trata-se de uma realidade consolidada que pouco mudou ao longo dessas sete décadas”, diz Ribeiro. “Em particular, nosso foco atual é estabelecer parceria com varejistas que não possuem serviço de crédito próprio e que atendem a fatia da população sem acesso a serviços bancários.”

A aposta da UME é crescer ajudando varejistas a analisar a qualidade do crédito numa velocidade mais rápida que o usual por meio de algoritmos para rastrear uma porção de dados até então guardadas de maneira meio bagunçada nos varejistas.

Entre os dados catalogados pelo sistema da UME estão endereço e fontes de renda do tomador de crédito. Tudo isso abastece um sistema dedicado a responder, com algum grau de confiança, se é arriscado ou não conceder o empréstimo ao cliente. “A promessa é de receber a resposta da análise em cerca de três minutos”, diz Ribeiro, pontuando que o normal no varejo brasileiro é de o crédito demorar 30 minutos, em média, para ser aprovado.

Antes de fundar a UME, Ribeiro trabalhou três anos no banco BTG Pactual e na startup mineira Méliuz, de tecnologias para concessão de recompensas por compras – o chamado cashback.

O desafio para a UME, daqui para frente, é diversificar as fontes de receita em meio à digitalização crescente do varejo brasileiro. Na prática, isso poderá massificar tecnologias como as oferecidas pela startup de Ribeiro e derrubar a barreira de entrada deste mercado.

Até lá, Ribeiro e os demais sócios da UME vão seguir torcendo para mais brasileiros terem acesso a produtos financeiros – e pedirem crédito por meio de tecnologias como as oferecidas por eles.

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