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E-commerce: Decisões radicais incentivam o desenvolvimento tecnológico

Por Andrea Fernandes*

Power BI para Investidores

Existe um motivo para a Apple ter tirado o conector de fone de ouvido dos iPhones. É o mesmo motivo que levou a companhia, anos antes, a tirar todos os drives de CD/DVD dos computadores, e lá atrás, extinguir os disquetes.

Esse motivo não é porque o Tim Cook cansou do buraquinho para enfiar o fone no celular, nem porque o Steve Jobs achava o design do disquete feio. Todas essas decisões, que nos parecem radicais no momento que acontecem, foram para incentivar o desenvolvimento de específicas tecnologias.

Os airpods não seriam os fones de ouvido mais vendidos do mundo se os conectores analógicos ainda existissem nos telefones, e o iCloud não seria uma das maiores fontes de receita da Apple se os Macbooks ainda viessem com as antigas portas USB ou lugar para CD. E isso movimentou todo o segmento. Difícil é encontrar um telefone que aceite fones de ouvido com fio.

Nem cheguei ainda no tema principal da coluna de hoje, mas vamos lá.

A Apple é um ótimo exemplo de como esse primeiro passo é, talvez, o mais importante para alcançarmos a tecnologia de ponta.

Pense na seguinte situação: você recebe uma enxurrada de notificações todos os dias. São e-mails, push no app de delivery, Pix efetuado, amigos mandando referências no Instagram, algumas solicitações de amizade no LinkedIn, sua nova série que acabou de divulgar uma nova temporada. O telefone vibra O DIA INTEIRO. Como se não bastasse, designers de produtos americanos sugerem que você amarre um dispositivo no pulso que também vai vibrar em cada uma dessas notificações.

E hoje, o Apple Watch, é um dos gadgets wearables mais vistos por aí.

Recentemente li que a Ray Ban, em parceria com o Facebook, está lançando o Ray-Ban Stories, óculos inteligentes com câmera, assistente de voz e fone de ouvido, tudo no design clássico do Wayfarer.

Depois, navegando por aí, li alguns comentários sobre o lançamento falando sobre a recente empreitada do Snapchat com os acessórios que não só gravavam, mas já postavam vídeos no aplicativo, e até do Google Glasses, que completam dez anos em 2022. Qual é a diferença entre todos eles? Eu te digo: nenhuma.

Mas já pensou o que isso pode fazer pelo e-commerce? Atualmente alguns sites, como Amazon e Alibaba, já oferecem o feature de câmera para identificação de um produto, seu preço e a facilidade de comprar através dele. Muitas vezes quando estou viajando, e vejo algo em uma loja física, uso este recurso para saber se o preço está bom ou até mesmo se é possível comprar o mesmo item on-line, mas entregue na minha casa.

Agora imagina a possibilidade de um dia estar caminhando, com meu Ray Ban Stories, e ao ver uma pessoa usando um vestido que eu gosto dar um comando para que meu “óculos inteligente” localize o modelo em alguma loja e comprá-lo!

Se queremos chegar em um futuro onde vamos conviver com as realidades aumentada e virtual, se vamos realmente criar um ambiente digital onde podemos interagir no dia a dia, essas iniciativas são básicas, mesmo que elas ainda não estejam perfeitas.

Lembra do QR Code? Ficou por anos no fundo do armário, ninguém lembrava dele, coitado. Tava todo empoeirado. Até que, um belo dia, uma pandemia fez com que os cardápios físicos em restaurantes fossem extintos. E quem diria, o maior defensor do QR Code foi Tiago Leifert no BBB, onde todos anúncios tinham um código de Call to Action.

E aqui na França, onde vim passar uns dias antes de ir para o Web Summit é fundamental ter o seu passe sanitário para entrar em qualquer restaurante, café ou museu. Este passe é um QR code, que prova que você foi vacinado.

Falando em França, a L’Oréal, uma gigante francesa do mundo da beleza tem usado de forma bem interessante a inteligência artificial, mostrando que todo desenvolvimento dos últimos anos já está sendo colocado em prática.

Através da Vichy, eles lançaram o Vichy SkinConsultAI. A ideia é que, em três passos e usando o celular, você faça um diagnóstico da sua pele sob medida.

Depois dos aplicativos de teste de maquiagem virtual, coloração capilar virtual, consultas de beleza online, o diagnóstico de cuidados com a pele autenticamente alimentado por IA e pela ciência é um baita salto de funcionalidade.

Desenvolvidos por dermatologistas, os resultados conseguiram alto nível de precisão na avaliação da pele, usando diferentes expressões faciais e condições de fotografia.

Eu, que já era fã e usuária da marca, acho tudo isso um máximo. O mesmo vale para Ray Ban.

Tenho absolutamente todas as funcionalidades no meu telefone e no meu Ray Ban aviador, mas acho genial e quero ter um. Vai mudar a minha vida? Não. Mas vou procurar. E se encontrar, posto o review aqui, junto com uma cobertura completa e trazer várias pessoas, com diferentes olhares, para comentarem os destaques do Web Summit e as novidades que for vendo por aqui!

*Andrea Fernandes é CEO do T.Group

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