sábado, maio 1

Dor no pescoço não é apenas resultado de má postura, revela estudo

Trabalhar na frente do computador por diversas horas por dia pode prejudicar a nossa postura e provocar dores indesejadas. Isso, no entanto, não é novidade, mas uma equipe de pesquisadores descobriu que as dores no pescoço não são causadas apenas por isso. De acordo com os cientistas, existem outros fatores determinantes para esse incômodo, como a idade, índice de massa corporal e o momento do dia.

Xudong Zhang, um dos responsáveis pelo estudo e professor do departamento de engenharia industrial e de sistemas da Universidade do Texas A&M, pontua que a dor no pescoço é uma das causas de deficiência que mais crescem no mundo. “Nosso estudo chegou a uma combinação de fatores pessoais que influenciam fortemente na força e na resistência do pescoço ao longo do tempo”, diz. “Desde que esses fatores sejam identificados, eles podem ser modificados para que o pescoço tenha uma saúde melhor e a dor seja evitada ou extinguida”, pontua.

Os dados citados por Zhang são do Global Burden of Disease Study, estudo que categorizou a dor no pescoço como a quarta maior causa de deficiência global. A dor está ligada ao estilo de vida, afetando principalmente quem permanece por muito tempo com o pescoço inclinado para frente. Mas para provar que não se trata apenas disso e chegar às conclusões do estudo, Zhang e sua equipe de pesquisadores recrutou 20 mulheres e 20 homens adultos que nunca relataram sofrer de problemas no pescoço. Então, no laboratório, eles precisaram fazer esforços que precisam do controle da cabeça e do pescoço, classificados como de “exaustão contínua”.


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Imagem: Reprodução/Freepik

Os voluntários ficavam sentados, usando um grande capacete que ajuda a medir a força no pescoço. Então, foi solicitado que eles mantivessem o pescoço reto ou inclinado para frente ou para trás. Com cada um em sua posição, os pesquisadores aplicaram força na cabeça e no pescoço, indo até a capacidade máxima ou metade dela. Os resultados foram analisados junto com dados de idade, hora do dia e índice de massa corporal.

Resultados

O estudo mostrou que além dos fatores de trabalho e postura, o índice de massa corporal é um fator determinante para a resistência do pescoço, sem diferenças significativas entre homem e mulher. Além disso, a hora do dia é capaz de afetar a capacidade de uma pessoa sustentar o pescoço sem sofrer de fadiga. Zhang explica:

“É intuitivo pensar que, ao longo do dia, o pescoço fica a cada vez mais cansado, já que o usamos mais. Porém, cerca de metade de nossos participantes foram testados de manhã e o restante à tarde. Além disso, alguns dos participantes tinham trabalhos diurnos e alguns trabalhavam no período noturno. Mesmo assim, encontramos que a hora do dia afeta consistentemente a resistência do pescoço”, conta o cientista, revelando então que cada caso é diferente e precisa ser avaliado de forma individual.

Com os resultados obtidos no estudo, os cientistas poderão, no futuro, criar um banco de dados de força e resistência do pescoço para construir modelos biomecânicos e musculoesqueléticos mais avançados. “Poderemos avaliar se os pacientes que estão se recuperando de lesões no pescoço estão prontos para voltar ao trabalho, caso força e resistência estejam dentro do normal.

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