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Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (24/04 a 30/04/2021)

Nesta última semana, a NASA fez uma seleção bastante diversa no site Astronomy Picture of the Day (APOD). As nebulosas dominaram em quantidade, mas quem roubou a cena foi o buraco negro simulado em um vídeo que mostra uma estrela sendo dilacerada pelos efeitos das marés ao orbitar o misterioso objeto invisível. Na animação, entendemos melhor como funciona a formação de um disco de acreção e dos jatos relativísticos.

Também há uma bela imagem de nosso planeta capturada do espaço pela tripulação da Apollo 17 e um cenário poético da Lua Rosa em pleno dia emoldurada por flores de cerejeira em primeiro plano. Confira as imagens e vídeos e nos conte o que achou nos comentários abaixo.

Sábado (24/04) — Crew-2 em timelapse

 

Você pode ter visto muitos lançamentos de foguetes, mas provavelmente nunca viu algo assim antes. O vídeo é um timelapse que comprimiu 12 minutos em apenas 8 segundos, as imagens são do foguete Falcon 9, da SpaceX, durante o lançamento da missão Crew-2. O veículo espacial decolou na manhã de sexta-feira, levando consigo quatro astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS). Essa é a terceira vez que a SpaceX realiza um lançamento tripulado.


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A vista no vídeo é da paisagem aquática da cidade Indian Harbour Beach, na Flórida, EUA. O timelapse mostra com muita nitidez os efeitos da propulsão e voo do foguete na atmosfera terrestre — por exemplo, o modo como o céu é iluminado por algo semelhante a uma bola de foto. Também é destaque a pluma branca que brilha quando o primeiro estágio do foguete volta para a Terra após entregar a cápsula Crew-2 à órbita terrestre. Os astronautas chegaram à ISS na manhã seguinte e se juntaram à Expedição 65 para ajudar a conduzir experimentos científicos.

Domingo (25/04) — Nebulosa da Formiga

(Imagem: Reprodução/R. Sahai/Hubble Heritage Team/ESA/NASA)

A nebulosa planetária Mz3, também conhecida como Formiga, está a cerca de 3000 anos luz de distância da Terra. Ela é formada por um núcleo brilhante que, de acordo com as suspeitas dos astrônomos, abriga em seu centro uma estrela simbiótica — um jeito mais sofisticado para se referir aos sistemas binários formados por duas estrelas de categorias diferentes, normalmente uma gigante vermelha fria e uma estrela muito quente e compacta, como uma anã branca.

Parece que esse sistema binário alimenta a nebulosa através da emissão de gases, mas a Mz3 em si não tem formato esferoidal, que seria o mais coerente para uma estrutura formada por estrelas. Os pesquisadores sugerem que isso talvez seja devido à velocidade dos gases que chegam a 1.000 km/s. Outra hipótese diz que os lóbulos laterais da nebulosa são formados pelo spin da estrela central e seu campo magnético

Segunda-feira (26/04) — nebulosas em Sagitário

(Imagem: Reprodução/Gabriel Rodrigues Santos)

Aqui temos três nebulosas que são relativamente famosas entre os astrônomos amadores em busca de paisagens cósmicas interessantes. Não é por acaso, elas são brilhantes e fáceis de encontrar, já que ficam na constelação de Sagitário. A maior delas, no lado inferior direito, é catalogada como M8 e NGC 6523, mas ficou conhecida pelo apelido de Nebulosa Laguna. No topo está a peculiar nebulosa M20, ou Trífida, apelido que ganhou porque ela parece ser dividida em três partes. Por fim, à esquerda está a NGC 6559, separada da M8 por uma faixa de poeira escura.

Todas essas regiões são “berçários” de estrelas, ou seja, são formadas pelas nuvens de poeira e gases necessárias para a formação de novas estrelas. O gás hidrogênio é representado pelas cores vermelhas que dominam as estruturas, enquanto os tons de azul na Trífida são resultado da luz das estrelas refletida pela poeira. Elas estão localizadas a cerca de cinco mil anos-luz de distância da Terra, e essa paisagem total corresponde a quase 4 graus de comprimento.

A nebulosa Trífida é uma região interessante por si só. A maior parte do brilho desta nebulosa é resultado da luz de uma única estrela massiva localizada ali no centro. Mesmo que essa luz seja tão impressionante, as três seções de poeira que inspiraram seu nome são bem distinguíveis, graças aos filamentos de poeira que são escuros o suficiente para bloquear a passagem de qualquer luz estelar.

Terça-feira (27/04) — buraco negro engole estrela

 

Talvez você já tenha lido algumas coisas sobre os jatos relativísticos emitidos pela atividade de um buraco negro, mas já viu de pertinho como esse mecanismo funciona? Claro, é impossível ir conferir pessoalmente, mas essa animação nos dá uma noção sem igual de como os buracos negros formam os jatos enquanto se alimenta de matéria circuncidante. Nesse caso, ele se alimenta de uma estrela.

Como o vídeo mostra bem, a estrela não é engolida de uma só vez pelo buraco negro. Na verdade, o que ocorre é que as forças das marés entram em jogo: quando a estrela orbita o buraco negro, sua superfície sofre mais com a atração gravitacional do que seu núcleo. O resultado é que a estrela consegue completar a volta, mas não sem deixar para trás um rastro formado por uma superfície que se desintegra à medida que a estrela se afasta. Grande parte da matéria estelar se dispersa no espaço profundo, mas o restante continua a orbitar o buraco negro e forma um disco de acreção.

A animação então mostra o disco de acreção em detalhes, e aqui temos uma imagem mais parecida com o famoso Gargantua, o buraco negro do filme Interestelar (2014). Esses efeitos visuais em forma de arco brilhante se deve às lentes gravitacionais geradas pela gravidade do buraco negro. Por fim, os tais jatos relativísticos são expelidos ao longo do eixo de rotação do buraco negro. Modelos teóricos indicam que esses jatos não apenas expelem gás energético, mas criam neutrinos energéticos, e são direcionados em duas extremidades de um eixo por causa do campo magnético deste titã devorador de estrelas.

Quarta-feira (28/04) — a Estrela do Norte

(Imagem: Reprodução/Bray Falls)

Polares é conhecida como Estrela do Norte porque é a mais próxima do eixo de rotação norte da Terra — ao menos dentre as visíveis a olho nu. Se durante a noite estivermos no norte geográfico do planeta (não confundir com o polo magnético), com a Polaris no zênite (ou seja, exatamente acima da nossa cabeça), veremos as estrelas girando em torno da Polaris. Claro, é um movimento aparente, porque na verdade é a Terra que está rotacionando.

Mas assim como nosso planeta tem vários movimentos complicados além da rotação e translação — como a precessão, nutação, deslocamento do periélio, entre outros —, o polo norte magnético pode variar um pouco. Há alguns milhares de anos, o eixo de rotação apontava em uma direção ligeiramente diferente, de modo que Vega era a Estrela do Norte. Se você quiser encontrar a Polares mas não está no Polo Norte, tente localizar a taça da Ursa Maior na região norte do céu celeste, usando como referência o fato de que o Sol nasce no Leste. Nessa imagem, a Polaris está cercada pela discreta nuvem de gás e poeira de uma nebulosa conhecida apenas como Nebulosa de Fluxo Integrado (IFN). Trata-se de uma estrutura mais complexa do que retratado aqui.

Quinta-feira (29/04) — uma vista rara da Terra

(Imagem: Reprodução/Apollo 17/NASA/Toby Ord)

A Terra — que é redonda, como vemos nesta foto tirada por astronautas da Apollo 17 — exibe uma silhueta discreta, como uma lua crescente. Esta fotografia e restaurada digitalmente é, por enquanto, é a última foto de nosso planeta feita por mãos humanas a partir desta perspectiva. Provavelmente estamos perto de ver a próxima fotografia desse tipo, já que as missões Artemis terão início em 2024.

Embora astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional vejam o Sol nascer e se por várias vezes em um único dia — a ISS orbita o planeta uma vez a cada 90 minutos — o espetáculo retratado acima foi contemplado por apenas 24 pessoas: astronautas da Apollo que viajaram à Lua entre 1968 e 1972. É que a bordo da estação espacial, a vista é muito mais próxima.

Sexta-feira (30/04) — Lua Rosa

(Imagem: Reprodução/Alice Ross)

Provavelmente você já viu a Lua brilhar no céu em pleno dia. Isso aconteceu no dia 25 de abril, em um bairro escocês chamado Leith, na capital Edimburgo. Era pouco antes do pôr-do-sol quando a fotógrafa capturou uma composição poética com flores de cerejeira em primeiro plano. A poesia veio bem a calhar — esta Lua quase cheia ocorreu na véspera da Lua Rosa, que é quando o satélite natural atinge o perigeu, ou seja, o ponto da órbita em que a Lua chega o mais perto possível da Terra.

O apelido “Lua Rosa” só é conhecido no Hemisfério Norte, porque coincide com o início da primavera de lá. Aqui, no Hemisfério Sul, conhecemos esse mesmo evento simplesmente como superlua cheia.

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