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Desertores norte-coreanos falam em Tóquio em processo simbólico contra Kim Jong Un

Desertores norte-coreanos prestaram depoimento nesta quinta-feira (14) em um tribunal de Tóquio para um processo simbólico contra Kim Jong Un, para responsabilizá-lo como atual dirigente do regime por um antigo programa de repatriação de Pyongyang que considerado “sequestros de Estado”.

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Embora o atual líder norte-coreano mal tivesse nascido quando o programa em questão terminou, os cinco demandantes buscam julgá-lo simbolicamente como representante do regime pela repatriação de 90.000 coreanos do Japão entre 1959 e 1984.

O programa, dirigido a coreanos que moravam no Japão e a seus parceiros e parceiras nipônicos, prometia “o paraíso na terra” para aqueles que se mudassem para o país comunista.

Os cinco demandantes são participantes do programa que conseguira escapar do país e agora reclamam da Coreia do Norte 100 milhões de ienes (883.000 dólares) por danos e juros.

No tribunal, eles acusaram o regime comunista de “mentir aos solicitantes com propaganda enganosa” e de tê-los “forçado a viver em condições nas quais era geralmente impossível aproveitar os direitos humanos”.

O tribunal ainda deve definir a data do julgamento do processo iniciado em 2018.

Como Japão e Coreia do Norte não mantêm relações diplomáticas, Kim Jong Un seria julgado simbolicamente como chefe de Governo de Pyongyang.

“Nós não esperamos que a Coreia do Norte aceite uma decisão nem que pague pelos danos e juros”, admitiu Kenji Fukuda, advogado dos demandantes, em uma entrevista em setembro.

“Mas esperamos que o governo japonês esteja em condições de negociar com a Coreia do Norte caso o tribunal decida a favor dos demandantes”, completou.

No total, 93.340 pessoas participaram no programa de repatriação financiado por Pyongyang e administrado pelas associações da Cruz Vermelha no Japão e Coreia do Norte.

O governo japonês também apoiou o plano, que alguns críticos viram como um meio para Tóquio reduzir o número de coreanos no país.

O advogado Fukuda disse que seus clientes consideram o governo norte-coreano “a entidade com mais responsabilidade”.

Uma parte da demanda dos desertores diz respeito à separação de suas famílias, ainda bloqueadas na Coreia do Norte.

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