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De olho na inflação, Copom sinalizou que pode elevar Selic em 1 p.p. na próxima reunião, dizem analistas

SÃO PAULO – Apesar do Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreender ao elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, para 4,25%, o comunicado trouxe algumas mudanças que podem levar a novas discussões para analistas e investidores.

A visão agora é que o Banco Central deixou espaço aberto para acelerar o ritmo de altas de juros na próxima reunião, no início de agosto, com a Selic podendo encerrar 2021 acima do atual patamar previsto pelo mercado no último relatório Focus, de 6,25%.

Patrícia Pereira, estrategista-chefe da MAG Investimentos, destacou em live do InfoMoney (assista no vídeo acima) que o comunicado do Copom desta quarta-feira (16) retirou o trecho em que falava em “ajuste parcial” dos juros, indicando agora que deve levar as taxas para o patamar considerado “neutro”.

“O mercado vinha desde o início muito crítico com esse trecho [sobre o ajuste parcial] exatamente porque tira grau de liberdade, em um momento em que a inflação está muito elevada”, avalia Patrícia destacando que mesmo assim o BC novamente ficou preso ao indicar que vê como apropriado levar a taxa para um patamar considerado neutro. “Eu não acho que deveria ter se amarrado dessa forma”, afirma.

A estrategista vê o comunicado praticamente em linha com o que era esperado pelo mercado, mas destacou uma “novidade” com o Copom deixando a porta aberta para subir a Selic em 1 ponto percentual ou mais em agosto.

No comunicado, o comitê manteve o trecho do último encontro em que diz que espera que ocorra na próxima reunião “uma nova alta de juros na mesma magnitude”, ou seja, 0,75 p.p..

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Porém, o BC diz também que “uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários”, ou seja, pode acelerar a alta da Selic, o que dependerá do cenário econômico e do seu balanço de riscos.

Já Thaís Zara, economista sênior da LCA Consultores, vê que essa sinalização para uma alta de juros até acima do 0,75 p.p. projetado se dá como uma resposta às indicações de que a deterioração do quadro inflacionário está sendo mais rápida do que o previsto.

Além disso, ela apontou na live que o BC ressaltou no comunicado que a atividade econômica melhorou bastante, o que por si só não seria uma novidade. Porém, ao traçar seu balanço de riscos, a autoridade monetária não vê mais o risco de uma inflação mais baixa que o esperado vindo de uma frustração com o ritmo da atividade.

“Isso significa que o BC tem uma avaliação muito mais firme de que a atividade de fato está retomando do que ele tinha na reunião anterior”, afirma Thaís.

Sobre as perspectivas para o fim do ano, Patrícia espera que a Selic fique em 6,5%, enquanto Thaís diz que a LCA pode realizar uma revisão das suas projeções, que atualmente é de juros a 6,25% em dezembro.

Segundo ela, a expectativa era que no início do ano que vem, a taxa básica de juros atingira 7%, mas diante das sinalizações do BC de que o ajuste pode ocorrer de forma mais rápida, ela não descarta que a Selic neste patamar possa acontecer antes do previsto.

Em nota, João Leal, economista da Rio Bravo complementa que viu o comunicado mais hawkish do BC como acertado, com a autoridade trazendo ainda novos fatores de preocupação para a inflação, como a crise hidrológica com pressão nos preços de energia elétrica, e também o preço de serviços, que pode também pressionar a inflação.

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