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De mesas a barreiras contra o vírus: fábrica se transforma em 2020

Há quase 60 anos, a Plexi-Craft Quality Products, no bairro do Bronx, em Nova York, produz mesas de centro, cadeiras e até caixas de lenços de papel chiques, com aparência moderna, feitas com resina acrílica cristalina. Mas quando o coronavírus chegou, em março, sua fábrica, a última fabricante de móveis de acrílico a sobreviver na cidade, fechou temporariamente.

No entanto, algo inesperado aconteceu por volta de maio. Médicos, bancos, hotéis, prédios de escritórios do centro da cidade e restaurantes começaram a entrar em contato com a empresa com pedidos de proteções para manter seus trabalhadores e clientes seguros. Agora, a Plexi-Craft está mais ocupada do que nunca, moldando sua resina acrílica (também conhecida por marcas como Lucite e Plexiglas) em barreiras transparentes, que permitem que os negócios de Nova York continuem funcionando.

“Tradicionalmente, elas são vistas como coisas baratas – algo temporário”, disse sobre as barreiras Hans Kretschman, ex-banqueiro de investimentos e comércio que comprou a Plexi-Craft dos filhos do fundador há quatro anos. Mas, continuou ele, as regulamentações relacionadas à Covid para as empresas não vão desaparecer tão cedo, o que está levando várias delas a investir em proteções bem feitas.

Antes da pandemia, a fábrica ocasionalmente produzia barreiras protetoras, mas seu foco principal eram as mesas de trabalho vendidas por 15.000 dólares, as de centro por 5.000 dólares e as cadeiras em forma de Z por 1.500 dólares

Na última primavera setentrional, o Lotte New York Palace, hotel de luxo em Midtown Manhattan, tornou-se um cliente. Becky Hubbard, gerente geral do hotel, achou importante, em relação à estética e à praticidade, contratar um negócio local para projetar e instalar de cerca de 20 escudos de proteção para suas áreas públicas. Ela contou que o processo, que terminou em agosto, exigiu visitas frequentes, por isso ficou aliviada com o fato de a fábrica ser próxima.

Nova York: empresa instala barreira protetora de acrílico no Museu Ucraniano de ManhattanJames Estrin/The New York Times

 

O Ponce Bank, pequeno banco comunitário com sede no Bronx, também virou freguês este ano. Muitos de seus clientes precisam de acesso ao caixa, de modo que todas as 13 agências do Ponce permaneceram abertas durante todo o período de quarentena. Com endereços no Bronx, em Jackson Heights e em Forest Hills, no Queens – áreas da cidade com algumas das maiores taxas de coronavírus –, o Ponce precisava de uma solução rápida. Em duas semanas, a Plexi-Craft fez 60 barreiras individuais para o banco. O custo total foi de 16.000 dólares, de acordo com Steve Hamilton, decorador da instituição financeira.

Embora o preço fosse cerca de 20% maior do que o que ele pagaria por produtos on-line produzidos em massa, Hamilton se sentiu bem com sua decisão. “Sabíamos que poderíamos obter alguns escudos baratos fabricados pela China que talvez fossem um pouco menos caros – não muito menos –, mas queríamos fazer isso localmente. Hans é muito competente, sinto que ele é o nosso cara. Queremos usá-lo para qualquer coisa de que precisarmos”, disse Hamilton.

Dale Phillips, chefe de uma empresa que recentemente instalou proteções semelhantes feitas pela Plexi-Craft no Museu Ucraniano no East Village, apreciou o cuidado envolvido no processo. “É difícil encontrar a velha guarda. Ela está morrendo porque todo mundo tem tudo na internet.”

Kretschman explicou que os escudos produzidos em massa, que vêm em tamanho padrão e tendem a amarelar, produzir bolhas e quebrar, não servem para os clientes que precisam de medidas específicas ou que querem um visual personalizado, como o dr. Dennis Gross, dermatologista da Quinta Avenida. Em junho, a Plexi-Craft instalou um elegante gabinete em forma de L envolvendo a recepção de Gross. Foi construído para não danificar a bela bancada branca quando for removido. “O dr. Gross gosta de coisas modernas, e é muito exigente com o que traz para o escritório; portanto, a proteção tinha de ser bonita, além de eficiente”, afirmou Lauren Kuzma, gerente da recepção.

Os pagamentos do Programa Federal de Proteção a Contracheques, além da demanda por escudos protetores, permitiram que a Plexi-Craft recontratasse todos os seus 14 funcionários em maio. Eles trabalham em um ambiente socialmente distanciado e passam por verificações diárias de saúde e temperatura.

Kretschman disse que recebe cerca de 20 consultas por semana para os escudos, e espera que os negócios aumentem à medida que mais nova-iorquinos forem voltando ao escritório no ano que vem. “Temos muito movimento, mas sem loucura. Vai ser uma loucura quando as pessoas começarem a voltar para o escritório”, previu.

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