sexta-feira, fevereiro 19

Conselho da Petrobras se reúne na terça para discutir recondução de CEO; Castello Branco não pretende deixar estatal

A turbulência após as falas de Jair Bolsonaro sobre o reajuste dos combustíveis e as críticas ao CEO Petrobras (PETR3;PETR4), Roberto Castello Branco, segue no radar do mercado nesta sexta-feira (19).

De acordo com duas fontes ouvidas pela Reuters, mesmo com as declarações do presidente da República contra o executivo, Roberto Castello Branco não pretende pedir demissão da companhia.

“Não vai ceder e não pretende sair”, disse uma das fontes à agência, na condição de anonimato. “Já houve um tempo em que o conselho (de administração da empresa) era pró-governo, e agora é independente”, acrescentou a fonte, argumentando que o CEO tem apoio para continuar na empresa.

Vale destacar que as críticas do Bolsonaro a Castello Branco acontecem às vésperas da reunião do conselho de administração em que é votada a recondução ao cargo do presidente. No próximo dia 23, véspera da divulgação dos resultados de 2020, o colegiado se reúne para deliberar, entre outros assuntos, a recondução de Castello Branco para mais um mandato de dois anos para o executivo que assumiu no começo de 2019. A reunião é ordinária e já estava marcada para ocorrer.

De acordo com informações do Valor, que também cita fontes,  o conselho apoia a atual gestão e não vê, até o momento, necessidade de mudança no comando da empresa. Uma terceira fonte, contudo, disse que um ambiente de ruído entre o presidente da Petrobras e o presidente da República não é desejável.

A Reuters também aponta, citando fontes, que o Conselho defende Castello Branco, embora a maioria de seus membros seja nomeada pelo governo. A expectativa é de que a reunião também tenha como tema os comentários recentes de Bolsonaro sobre a Petrobras.

A recondução pelo conselho de administração não é garantia de que Castello Branco não possa ser demitido depois, mas é de praxe que as companhias façam as trocas de comando ao fim dos mandatos, e não durante o curso deles, uma vez que poderia gerar situações de estresse para empresas abertas listadas em bolsa.

“Vai ter consequências”

Na véspera, Bolsonaro afirmou em transmissão pelas redes sociais que “obviamente” vai ter consequência a fala do presidente da Petrobras, que dias atrás havia dito que a ameaça de greve de caminhoneiros não era problema da Petrobras.

O comentário do presidente foi feito após o anúncio na quinta-feira de que a empresa elevará em cerca de 15% o preço médio do diesel nas refinarias e em mais de 10% o da gasolina, a partir desta sexta-feira.

Bolsonaro anunciou ainda na noite de quinta-feira que vai zerar em definitivo os impostos federais sobre o gás de cozinha e por dois meses os que incidem sobre o diesel, neste caso, com o objetivo de “contrabalançar” o reajuste que considerou “excessivo” da Petrobras.

Em meio a uma alta dos preços do petróleo, o reajuste foi o segundo anunciado para ambos os combustíveis em fevereiro e depois de a petroleira estatal ter sofrido com temores do mercado sobre possíveis interferências políticas na sua prática de preços.

Após uma reunião convocada por Bolsonaro no início do mês para discutir combustíveis, Castello Branco disse que o presidente nunca interferiu em políticas de preços da empresa.

Desde então, a empresa tem buscado reforçar que sua política segue alinhada aos preços ao mercado internacional e é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras.

Apesar das queixas, Bolsonaro disse na véspera que não pode e “nem iria interferir na Petrobras”, acrescentando em seguida: “Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa, vai acontecer.”

A isenção de impostos é mais um dos acenos que o governo tem feito aos caminhoneiros, uma categoria que vem sendo contemplada com decisões favoráveis do presidente. Integrantes da categoria ameaçaram com uma greve no início do mês, mas o movimento não ganhou adesão.

Bolsonaro defendeu também na véspera novamente a aprovação de um projeto, enviado pelo governo ao Congresso na semana passada, que tem por objetivo reduzir a volatilidade na alíquota do ICMS que incide sobre combustíveis.

Também disse que o governo prepara um decreto para obrigar os postos de combustíveis a divulgar qual o percentual de custos de cada um dos tributos na composição do insumo para venda ao consumidor. A decisão do aumento de preços da Petrobras, de outro lado, foi bem recebida pelo mercado, com especialistas dizendo que o reajuste levou os preços de volta ou próximos da paridade de importação, o que evitaria perdas para a companhia.

As ações da Petrobras registram uma forte queda na sessão, com baixa de 6,90% para os ativos PN, a R$ 27,41, enquanto PETR4 cai 5,81%, a R$ 27,57, de acordo com cotação das 12h12 (horário de Brasília).

(Com Reuters)

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