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Conheça Cathie Wood, a badalada gestora americana que investe em inovação

Imagine aplicar em um fundo de empresas que podem dar muito certo, mas no futuro? Esta é a estratégia da badalada gestora americana Cathie Wood.

Chamada de “Rainha dos Investimentos” e “Mamãe Cathie” por sua legião de fãs, a americana de 65 anos é a fundadora, CEO e CIO da gestora de investimentos global Ark. Fundada por ela há sete anos, a instituição financeira tem sede em Nova York e mais de 10 bilhões de dólares sob gestão.

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O foco de Wood e o da sua gestora, desde  a década de 90, é uma estratégia temática: aplicar em negócios que incluem inovações tecnológicas que devem provocar  disrupção em diversos setores da economia. A Ark investe em empresas de setores como robótica e tecnologia autônoma, tratamentos genômicos, big data, inteligência artificial, computação em nuvem, fintechs, exploração do espaço, mobilidade as a service, impressão 3D e, mais recentemente, criptoativos.

Recentemente, uma aposta alta na Tesla colocou a gestora sob holofotes. Em 2018, quando a ação da empresa de carros elétricos e autônomos de Elon Musk custava 300 dólares, Wood disse esperar que pudesse chegar a 700 dólares, no pior dos cenários, a 4 mil dólares, no melhor, em cinco anos. Desde então o papel já dobrou o seu valor, e vale atualmente 672 dólares.

Apesar de seu principal fundo, o ETF Ark Innovation (ARKK) ter sofrido recentemente (em 31 de março registrava queda de 3,6% no ano), ainda registra valorização de 175% nos últimos 12 meses, e 33,92% desde a sua criação.

As principais posições do fundo, na data, eram Tesla (11%) e na plataforma de telemedicina Teladoc (6,37%). Entre as empresas na carteira estão Spotify (3,49%), Zoom (3,48%) e Coinbase (2,77%). Para Wood, a pandemia acelerou seu crescimento porque seu fundo investe basicamente em soluções de problemas.

Tese de investimento

A gestora acredita que, no longo prazo, o retorno de sua alocação fique bem acima de índices relacionados e tenha baixa correlação com a rentabilidade de estratégias tradicionais. Parece uma estratégia arriscada, mas depende do ponto de vista. Para Wood, é um risco continuar a investir em empresas tradicionais quando existem tantas inovações sendo testadas e desenvolvidas, que podem modificar economias inteiras.

A análise dos ativos da Ark é baseada no modelo top-down, que analisa a situação macroeconômica; e bottom-up, que consiste em selecionar ações com base em seu valor e risco, criando um valuation próprio para os próximos cinco anos, período mínimo de manutenção dos papéis. A preferência é por aquelas que têm um alto potencial de crescimento, de 15% ao ano.

Seu modelo de análise é público e distribuido nas redes sociais, diferente das gestoras tradicionais. Para criar seus modelos de análise, a Ark usa tecnologia e imputs externos, que incluem interações nas redes sociais feitas por criadores de conteúdo, geralmente líderes em seu segmento, e pesquisas públicas. Para Wood, essa distribuição é em grande parte responsável pelo sucesso da casa.

Perfil

Formada em ciência, economia e finanças na Southern California, Wood começou sua carreira como economista assistente no Capital Group e depois trabalhou como gestora e diretora de investimentos até fundar a Ark. São 40 anos de experiência na área financeira. Mãe, se define nas redes sociais como uma advogada das mulheres.

Ao longo da carreira, Wood analisava ações que “ninguém queria”, como empresas de tecnologia wireless. Segundo ela, em depoimentos, ou eram muitos pequenas ou não se enquadravam nos portfólios tradicionais. Ao longo do tempo, acompanhando sua evolução, Wood resolveu apostar no segmento, uma forma, segundo ela, de dar um upside na carteira.

Historicamente muitos investidores optam por investir em startups via private equity, enquanto os mercados abertos, na visão de Wood, se tornaram muito passivos. Por conta disso, ela acredita que o valor de empresas inovadoras de capital aberto é ineficiente, e aposta em ETFs ativos.

Sem esquecer da pressão do mercado por ESG, defende que seu processo de investimento é sustentável, já que as empresas que inclui em carteira podem resolver grandes problemas humanitários.

Fãs, mas também críticos

Há quem diga que Wood personifica a especulação das empresas de tecnologia nos últimos anos. Quem duvida de sua estratégia acreditando que as ações de tecnologia estão sobrevalorizadas aponta que seu sucesso no último ano é um mix de marketing e uma corrida de investidores por mais liquidez. Ou seja, não é sustentável.

Wood nega uma eventual bolha no setor de tecnologia e reforça o objetivo de longo prazo de seu fundo. Um grande teste de paciência de seus investidores.

Como investir

A estratégia da Ark é empacotada especialmente na forma de oito fundos de índice (ETFs), seis ativos e três passivos, distribuídos nos Estados Unidos e também no Canadá. Em parceria com a gestora Nikko, suas estratégias tomam forma de fundos mútuos no Japão. Recentemente, a Ark também chegou à Europa, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia via UCITs.

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Os fundos da Ark atualmente não são distribuídos no Brasil. Mas o investidor pode aplicar no fundo via corretoras americanas ou plataformas que têm foco em atender o investidor brasileiro.

Por enquanto, o fundo mais similar aos distribuídos pela Ark, no Brasil, é o Constellation, gerido por Florian Barthunek, diz Juliana Machado, especialista em fundos da EXAME Invest Pro. “A gestora é conhecida por ter investido na Tesla quando muitos achavam o negócio duvidoso. E talvez o negócio realmente seja duvidoso do ponto de vista tradicional. A questão é que a empresa está na liderança em termos de tecnologia e inovação. O tema é muito forte no mundo, mas é um debate que só temos feito no Brasil em relação às fintechs na bolsa”.

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