terça-feira, março 2

Compostos químicos essenciais para a vida são encontrados em rochas na Austrália

Uma equipe de pesquisadores identificou moléculas orgânicas e gases presos na Formação Dresser, na Austrália, datadas de 3,5 milhões de anos atrás. Estes compostos formaram a base necessária para as primeiras formas de vida em nosso planeta, e revelam as primeiras evidências destes ingredientes químicos primordiais. 

A descoberta ocorreu na antiga formação Dresser, localizada na região da Austrália Ocidental, e é outro complemento a um grande volume de pesquisas que vêm apontando para a ocorrência de formas de vida antiga na região. Agora, neste estudo, os pesquisadores identificaram sinais de compostos químicos que podem ter permitido a ocorrência de microrganismos primordiais, que teriam usado estas substâncias como fontes de energia. 

Rochas de barita na Formação Dresser (Imagem: Reprodução/ Helge Mißbach)

Eles identificaram moléculas presentes em depósitos de barita, um tipo de mineral que pode ser formado por fenômenos hidrotérmicos: “no campo, a barita está diretamente associada a formações microbianas”, explica Helge Mißbach, geobiólogo da Universidade de Colônia, na Alemanha. “Assim, suspeitamos que os depósitos tinham materiais orgânicos, que podem ter servido como nutrientes para a vida microbiana primordial”.


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Assim, Mißbach e os outros pesquisadores investigaram inclusões geológicas em baritas, vindas da Formação Dresser, com minerais que são estáveis o suficiente para preservar fluidos e gases dentro da rocha por bilhões de anos. Eles identificaram “uma diversidade interessante de moléculas orgânicas”, relatam. Entre elas, havia compostos como ácido acético e metanotiol, além de sulfeto de hidrogênio, que pode ter origens bióticas ou abióticas.

Localização da mina de Dresser e a rocha de barita, que indica associação próxima a estromatólitos (Imagem: Reprodução/Mißbach et al)

A proximidade dessas inclusões com a barita sugere que, na verdade, os compostos foram transportados por fluidos hidrotérmicos, e podem ter influenciado comunidades microbianas antigas, fornecendo os substratos ideais para estes microrganismos. Além dos compostos que podem ter atuado como substratos, outros que foram identificados nas inclusões podem ter sido os “blocos construtores” de diversas reações químicas baseadas em carbono. 

Assim, estes processos podem ter iniciado as atividades metabólicas dos microrganismos, porque teriam produzido fontes de energia que poderiam ser quebradas e utilizadas por estas formas de vida: “em outras palavras, ingredientes essenciais do tioacetato de metila, um possível agente crítico para o surgimento da vida, estavam presentes na Formação Dresser”. A conexão entre as moléculas e os organismos microbianos surpreendeu a equipe, e é considerada uma contribuição decisiva para o entendimento da história da evolução da vida na Terra.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

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