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Calypso pode ser a próxima missão da NASA a estudar Vênus usando um balão

Entre os planetas rochosos do Sistema Solar, Vênus é, sem dúvidas, um dos mais desafiadores. Com temperaturas superficiais que ultrapassam os 400 °C e pressões atmosféricas literalmente esmagadoras, nem mesmo os landers mais rígidos conseguem sobreviver muito tempo por lá. Entretanto, uma proposta de missão chamada Calypso Venus Scout poderia investigar o planeta mesmo assim, por meio de uma sonda sustentada por um balão.

O artigo que descreve a missão foi publicado em formato pré-print no site arXiv — ou seja, ainda não foi revisado e avaliado por pares. Assim, a missão ainda não está nos planos da NASA, e o autor propõe uma década para seu desenvolvimento. A ideia é que a Calypso fique a uma altitude de 32 quilômetros, onde as nuvens ficam mais dispersas e, assim, seria possível descer uma sonda para poder estudar e medir o solo com maior precisão. Nesta altura, as temperaturas ficam pouco acima de 120 °C — bem mais amenas do que as temperaturas da superfície do planeta, que são de 467 °C, em média.

Representação conceitual da missão Calypso (Imagem: Reprodução/Sam Zaref/arXiv)

Então, depois da chegada da Calypso à órbita do “planeta infernal”, um balão seria lançado na atmosfera bem no topo dessa camada de nuvens. O balão ficaria a uma altitude de 50 km e se manteria estável por lá. Devido à altura, não seria necessário utilizar nenhuma tecnologia complexa ou inovadora, e a sonda poderia ser alimentada por painéis de energia solar. Um módulo seria descido do balão até o solo, sustentado por uma corda de até 30 km de comprimento.


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Depois, o módulo atravessaria as nuvens e tiraria algumas fotos do solo, de modo que a superfície do planeta seria estudada conforme o balão fosse empurrado pelos ventos. À medida que temperaturas da superfície ficam quentes demais, o módulo seria recolhido para transmitir os dados para a Terra, enquanto se resfria para mais uma rodada de estudos. Este processo seria gradual, e a sonda iria escanear, de pouco a pouco, a superfície de Vênus em comprimentos de onda visível e infravermelhos. Assim, a Calypso poderia estudar grandes áreas do nosso planeta vizinho.

Já se passaram quase 40 anos desde a realização da última missão do programa Venera, desenvolvido pela União Soviética para estudar Vênus, e, mesmo assim, ainda não temos a tecnologia necessária para estudar este planeta como já vem sendo feito em Marte, de modo que a Calypso poderia ser uma possibilidade poderosa para sabermos mais sobre nosso vizinho.

Entender Vênus é importante para aprendermos sobre o que pode esperar a Terra, já que o planeta já foi bastante semelhante ao nosso, com oceanos líquidos e atmosfera agradável. Entretanto, estas condições foram perdidas devido a um efeito estufa extremo.

Leia a matéria no Canaltech.

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