sexta-feira, março 5

Bolsonaro indica general Joaquim Silva e Luna para ser novo presidente da Petrobras

General Joaquim Silva e Luna, anunciado por Bolsonaro como novo presidente da Petrobras

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro anunciou nas redes sociais nesta sexta-feira (19) a indicação do general Joaquim Silva e Luna para ser o novo presidente da Petrobras. O cargo é ocupado atualmente por Roberto Castello Branco.

“O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco”, afirmou Bolsonaro.

Nos últimos dias, o presidente da República voltou a criticar a estatal petrolífera por conta de um reajuste de preços de combustíveis feito na quarta-feira. Durante sua live semanal na noite de quinta, ele negou interferência na Petrobras, mas ressaltou que “alguma coisa vai acontecer nos próximos dias”, sem deixar claro o que seria feito.

Na manhã de hoje, Bolsonaro reforçou o recado em evento em Pernambuco: “anuncio que teremos mudança sim na Petrobras”. “O povo não pode ser surpreendido com certos reajustes”, disse ele. “Façamos mas com previsibilidade, é isso que queremos”.

O sócio da Acqua Investimentos, Bruno Musa, destaca que o general não é da área de atuação da Petrobras e por isso a reação do mercado é ainda pior. Às 20h (horário de Brasília), os ADRs da Petrobras registravam queda de 9,45% no after market da Bolsa de Nova York.

“Interferência política nunca é bem vista pelo mercado e os investidores já estão refletindo isso”, afirma.

Já Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, diz que “não é exagero dizer que a Petrobras ficou uninvestable (não investível)”. Para ele, essa é uma situação de “perde-perde”.

“(A Petrobras) Não vai se beneficiar da recuperação dos preços do petróleo, independente do desfecho desse caso. E como não tem estratégia nenhuma em renováveis, muito pelo contrário, a tese de médio prazo fica comprometida”, avalia.

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O boato de uma troca na presidência começou a ganhar força após os comentários, principalmente com a proximidade da reunião do Conselho de Administração da companhia, que ocorre na terça-feira.

O encontro de conselheiros já estava marcado e ocorre na véspera da divulgação do resultado de quarto trimestre da empresa. Entre as pautas da reunião estava a recondução de Castello Branco ao cargo de presidente.

Porém, durante a manhã, duas fontes ouvidas pela Reuters disseram que, mesmo com as declarações do presidente da República contra o executivo, ele não pretendia pedir demissão.

O mandato do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, se encerra em março. O administrador entrou na mira de Bolsonaro após declarar que não guiaria decisões da Petrobras sobre o preço de combustíveis com base em manifestações contrárias de caminhoneiros.

A indicação do nome de Silva e Luna precisa, no entanto, ter aprovação do conselho de administração da Petrobras. Bolsonaro não tem poder formal para demitir Castello Branco. A decisão cabe ao conselho, formado por membros indicados pelo governo, mas que atuam com independência. O conselho deve se reunir na terça-feira e deve discutir a troca.

(Com Agência Estado)

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