sábado, fevereiro 27

Blocos de gelo podem estar sazonalmente abrindo canais em dunas de Marte

Durante anos, cientistas planetários tentam entender o que estava por trás de grandes canais esculpidos nas dunas da cratera Russell, em Marte, sendo que estudos mais recentes mostraram alguma relação com o dióxido de carbono congelado. Agora, em um novo estudo, uma equipe de cientistas analisou imagens feitas pela sonda Mars Reconnaisance Orbiter (MRO), mostrando que o processo que abre estes canais é sazonal — e pode ser previsto.

A cratera Russell possui a maior duna que conhecemos no Sistema Solar, o que a torna um excelente objeto para estudo das atividades modernas que ocorrem na superfície do planeta. Assim, os cientistas passaram décadas formulando ideias sobre o que estaria abrindo formações estreitas nas dunas da cratera, explica Cynthia Dinwiddie, principal autora do estudo. Primeiro, eles pensaram que os canais eram o que restou de quando o clima de Marte permitiu a ocorrência de água líquida.

Plumas de poeira vindas dos canais na megaduna da cratera Russell, que dá apoio à hipotése de dióxido de cabono congelado deslizando pela areia e espalhando a poeira (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/Malin Space Systems (CTX)/JPL/University of Arizona)

O problema é que as imagens da sonda mostraram que estes processos estão acontecendo agora, em um período em que Marte é frio e árido. Assim, outras hipóteses foram propostas, envolvendo gelo de dióxido de carbono e água congelada. Depois, outros cientistas identificaram blocos do composto congelado em imagens das dunas, o que sugere que há uma relação casual entre o gelo e as formações: “oferecemos novas evidências de que a liberação do dióxido de carbono solta blocos de gelo, que esculpem e alteram de forma linear os canais das dunas”.


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A MRO fez imagens do início da primavera marciana, que mostram plumas de poeira associadas aos canais nas dunas e a favor do vento. Isso indica a ocorrência de processos ativos, causados pelo dióxido de carbono congelado, que desliza e leva areia e poeira junto. Quando chega o outono e inverno, as temperaturas mais baixas condensam uma parte do dióxido de carbono da atmosfera na superfície das dunas, que acaba criando depósitos de gelo. Depois, na primavera, este gelo permite que a radiação do Sol aqueça a areia sob ele.

Um pouco do gelo sofre sublimação e volta para a atmosfera, liberando areia e poeira em jatos gasosos, e o material ejetado volta para a superfície para formar manchas escuras. Assim, o estudo sugere que, conforme as estações do ano vão passando, estes processos se repetem e quebram o gelo em pequenos blocos próximos das dunas. A liberação do gás faz com que eles deslizem pela areia e abram canais ou aprofundem outros que já existiam. As plumas de poeira, perturbadas pelos blocos, criam margens sazonais e brilhantes perto dos canais; posteriormente, o gelo limpa essa poeira escura, causando variações na quantidade dela dentro dos canais e ao redor deles.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

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