quinta-feira, maio 13

BBB21 termina, mas ficam as lições trazidas pelo blockbuster

Hoje termina o Big Brother Brasil 21, o reality show que há 21 anos centraliza os bate-bocas de norte a sul do Brasil e garante relevância para a Globo em entretenimento. 

Um blockbuster, sem dúvida. E se sabemos que haverá um vencedor dentre os três que ainda estão dentro da casa, aqui fora, também há um mundo de informação e comportamentos em torno do  BBB21 que precisamos trazer para a luz. Esta edição será lembrada para sempre como um dos campeões de audiência da série em um país que, no mesmo período, se viu assolado por um dos momentos mais críticos da história da humanidade: a pandemia do coronavírus. Não seria incorreto dizer que este BBB21 é o emblema que espelha com muita clareza estes dias sombrios. 

Na parte temática houve embates sobre racismo, transfobia,  homofobia, assédio e saúde mental. Muito além das fofocas do dia a dia.

Sabemos que conteúdos de entretenimento estão entre os mais acessados em todas as plataformas de comunicação neste pouco mais de um ano de covid-19. A grande válvula de escape para as pessoas que levaram a sério a recomendação de ficar em casa e não aglomerar.

O sucesso das  lives de cantores se reiventando em seus modelos de show é um bom exemplo. O streaming teve um crescimento impressionante. A Netflix  registrou em  2020 o maior ganho de assinantes de sua história. Mais de 37 milhões de assi

nantes, crescimento de 31% em relação a 2019. E ultrapassou a marca de 200 milhões de clientes em todo o mundo. A empresa não revela, mas analistas contabilizam 17 milhões no Brasil. E o país é um de seus principais mercados.

Nesse contexto é natural que BBB21 fosse um grande expoente e uma opção para respirar longe do looping informativo de grande perda de vidas, atrasos de vacina e o desemprego, para citar três dramáticas situações que foram e estão colocadas ainda no nosso dia a dia.

Com uma dinâmica que valoriza a contradição e a competitividade, parece até um tanto paradoxal, mas o fato é que o BBB21, o mais longo da série com seus cem dias, deixa um rastro que amenizou as dores e tensões do país. Certamente há análise para todo gosto. Mas, voltando ao espectro da comunicação não é possível desprezar o fenômeno e o fôlego da fórmula (que a própria pandemia acabou potencializando como atração).

Veja abaixo uma curadoria de dados sobre BBB21, que vale a pena analisar.

Usuários na página do BBB 21: de acordo com um levantamento da ComScore, o volume de usuários visitando a página do Big Brother Brasil cresceu 519% comparado à estreia de 2020. O público nas redes do BBB passou de 574 mil pessoas para 3,5 milhões de visitantes únicos à página.

Audiência cruzada: segundo a ComScore, em janeiro, a audiência cruzada entre as plataformas do BBB (Twitter, Facebook e Instagram) cresceu 36% nas redes sociais, passando de 16,1 milhões em 2020 para 21,9 milhões em 2021. As hashtags #BBB21 e #RedeBBB foram as mais utilizadas.

Audiência na TV: o BBB 21 completou dois meses no ar em abril com 28 pontos de média em São Paulo. É o melhor resultado do reality no período desde a décima edição, que marcava 30 a essa altura (dados da coluna da Kogut). O programa estreou com 27,4

pontos de audiência em São Paulo, segundo dados do Ibope. A média é a melhor do reality desde 2018, que começou com 31 pontos. O “Big Brother Brasil” 20 estreou com 25 pontos, e o 19, com 22.

Menções no Twitter: as menções do programa no Twitter cresceram dez vezes em comparação com a edição anterior. Entre janeiro e fevereiro deste ano, 2,8 milhões de usuários diferentes mencionaram o BBB, com 41,4 milhões de publicações sobre o programa, de acordo com dados da plataforma de monitoramento Buzzmonitor.

Buscas no Google: na terceira semana do BBB, a edição deste ano já era a mais buscada da história do reality, segundo dados do Google Trends exclusivos para a coluna da Patricia Kogut. O interesse pelo programa deste ano ultrapassou a edição passada, até então recorde nas pesquisas. As buscas por “Lucas” em fevereiro dispararam. Elas superam as consultas por Manu Gavassi e por Felipe Prior (da edição anterior) no auge da popularidade de ambos, em abril de 2020. 

Marcas aproveitando a audiência do programa (Facebook): segundo relatório da SocialBakers feito a pedido da EXAME, em janeiro, a marca que mais postou conteúdos com “BBB” no Facebook foi a PitBull Jeans, com 20 postagens sobre o tema. A marca usou a ex-bbb Hariany Almeida como garota-propaganda, o que justifica o amplo volume, mesmo não sendo patrocinadora oficial do reality. Ainda no Facebook, Itatiaia, FreeCo e Seara fizeram postagens sobre o assunto. As duas primeiras são patrocinadoras oficiais do programa, enquanto a FreeCo aproveitou o “burburinho” sobre o tema para promover seus produtos. 

Marcas aproveitando a audiência do programa (Instagram): no Instagram, a marca campeã de menções ao BBB é a Avon Brasil, com dez posts sobre o tema em janeiro e mais de 240 mil interações (curtidas, comentários e compartilhamentos) nesse conteúdo. A C&A, outra patrocinadora do programa, vem em segundo lugar, com 26 posts e 117 mil interações. Em terceiro lugar, novamente a PitBull Jeans, com 20 posts e 80 mil publicações. Os dados são do relatório da SocialBakers feito a pedido da EXAME, no mês de janeiro. 

Marcas x BBB: A Pespsi teve uma explosão de menções nas redes sociais após a ação da Coca-cola ser exibida no programa. O time de marketing do Twitter Brasil tem até um documento com dicas para as marcas sobre como podem fazer sucesso aproveitando a conversa sobre BBB21.

Sentimentos dos telespectadores: em pesquisa realizada pela Hibou, empresa de monitoramento de consumo, foram apontados quais sentimentos os telespectadores sentem ao assistir o reality show. Dos 52% dos brasileiros que estão acompanhando o reality, 86% já sentiram emoções negativas fortes em duas semanas de programa. As mais comuns são os sentimentos de raiva, tristeza, preconceito, humilhação, indignação, nojo, repúdio e falta de empatia.

Por que o brasileiro assiste BBB: a pesquisa da Hibou mostrou que ai

nda que o BBB 21 proporcione sentimentos negativos ao público, o programa proporciona entretenimento. Para metade dos entrevistados, o que chama mais atenção é a possibilidade de bisbilhotar o comportamento das pessoas, a outra parte do grupo se interessa por opiniões e atitudes distintas.

Redes dos participantes: dados de 27 de abril mostram que Juliette é uma sensação nas redes. De todos os comentários, likes e compartilhamentos recebidos pelos brothers nas redes sociais, 30% são com os perfis de Juliette. No dia 21 de janeiro, Juliette tinha 146.349 seguidores no Instagram e em 04 de abril já soma 23,7 milhões de seguidores. Fica claro perceber também que o público demonstra suas preferências utilizando o botão de unfollow. Um exemplo disso é a publicitária Sarah Andrade que, em certo momento do programa, deu declarações controversas relacionadas à pandemia e às suas preferências políticas.

A sister, que até então acompanhava o crescimento do economista Gilberto, passou a perder seguidores – foram 2 milhões em duas semanas. Campeã de rejeição no paredão, a cantora Karol Conká também perdeu seguidores por conta dos seus posicionamentos dentro da casa – especialmente em relação a Lucas. Só na primeira semana de fevereiro, quando brigou com o ator, Conká perdeu 500 mil seguidores. Os dados são da Socialbakers, que analisou Instagram e Twitter dos confinados no período de 19 de janeiro a 27 de março. Sendo que o Instagram foi a plataforma preferida dos fãs do BBB, tendo recebido 74,5% das interações contra apenas 25,5% no Twitter.

*Alexandre Loures e Flávio Castro são sócios da FSB Comunicação

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