domingo, maio 2

Bancos estão com dias contados, diz gestor da AZQuest

Humildade, muito trabalho e cabeça aberta para identificar negócios disruptivos. É com esses pilares que Welliam Wang, gestor e responsável pela estratégia de renda variável da AzQuest espera entregar os melhores resultados para seus clientes.

“Eu não preciso de um analista que diz saber tudo porque cobre um setor há 20 anos. O analista de hoje tem que estar aberto a um novo modelo de análise, porque as coisas estão mudando”, diz Wang em entrevista exclusiva à Exame Invest.

Um dos pontos de maior conflito entre a nova e a tradicional mentalidade do mercado é em relação à análise dos grandes bancos do país. E para Wang, “é só uma questão de tempo” até as fintechs, como Nubank e Banco Inter (BIDI4), tomarem o lugar dos principais nomes do setor. 

Juntos, Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3/BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) têm 701 bilhões de reais de valor de mercado. Ainda que elevado, o montante é 160 bilhões de reais inferior ao que os quatro valiam em janeiro do ano passado. Nesse período, os bancos também perderam participação, em valor de mercado, no Ibovespa, passando de 22,13% para 16,7%.

“Os bancos estão acostumados a ter o oligopólio, não a competir. Em todos os lugares em que há competição, eles estão perdendo. Todos os concorrentes que se propõem a fazer algo diferente estão ganhando market share. Ao longo do tempo, os grandes bancos vão perder participação e lucratividade”, afirma o gestor. 

Wang também pontua que, apesar dos grandes bancos terem dinheiro para tentar copiar novos modelos, eles têm uma grande desvantagem que não pode ser alterada por meio do capital: a cultura. 

“Por que o banco tem que cobrar mensalidade ou TED se tem o mesmo serviço sendo entregue de graça em outro lugar? Isso é algo bizarro. Os clientes são muito maltratados porque sempre fizeram isso, e isso gera uma receita relevante que não estão dispostos a sacrificar. Já a empresa de tecnologia tenta criar um produto excelente para o cliente para que o lucro seja a consequência do serviço.”

Ações

Ao passo que as ações dos principais bancos do país se desvalorizam com o aumento da competitividade no setor, a do Inter (BIDI4), primeira fintech a se listar na B3, acumula 325% de alta desde sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), em 2018. Suas units (BIDI11), listadas em 2019, já subiram 485%. Já o Nubank se planeja para abrir capital na Nasdaq, segundo a Reuters, com valuation previsto de 25 bilhões de dólares – cerca de 58% superior ao valor de mercado do Banco do Brasil.

“Todas essas fintechs ainda estão ajustando o modelo de negócio. O dia que estiver azeitado, elas vão acelerar – e muito – o crescimento”, diz.

Oportunidades pós-pandemia

Além do setor de fintech, em que a AzQuest tem posições no Inter, Wang tem dado bastante atenção a ações que podem se beneficiar com a reabertura econômica, principalmente às ligadas ao turismo. “Quando se ouve o presidente do Airbnb falando que a demanda esperada é tão forte que vai faltar imóvel, não dá para ficar parado”, comenta. 

“É como se as pessoas tivessem feito regime por um ano. No primeiro dia que elas saírem do regime, elas vão comer muito mais do que estão acostumadas – e nesse período se formou poupança.” No mercado brasileiro, a aposta da AzQuest para surfar na retomada do turismo são as ações da CVC (CVCB3). Somente entre março e abril, os papéis da companhia dispararam 45%.

“O mercado se antecipa. Temos olhado bastante para a imunidade de rebando, que é quando cerca de 60% da população adulta vai estar vacinada. Esse é um número importante, porque é quando o número de casos começam a cair significativamente. Achamos que isso vai ocorrer lá para setembro. A discussão não é mais se vai acontecer, é quando.”