quinta-feira, março 4

B.Side Investimentos vai do zero ao bilhão em ano de estreia

Lançar um negócio em ano de pandemia não tirou o sono de Rafael Christiansen, um executivo com 15 anos de experiência no mercado financeiro e passagem por instituições como Fama, Safra e Credit Suisse. Pelo contrário: o impulso que o mercado de investimentos ganhou nos últimos meses consolidou nele a certeza de que a hora certa é agora, e que é preciso crescer rápido. Engolir, ou ser engolido.

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Foi com essa mentalidade — e essa ambição — que ele fundou, em julho, a B.side, escritório autônomo de investimentos plugado ao banco BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME). A B.Side nasceu para oferecer um grau de proximidade e acompanhamento sob medida que Christiansen e seus sócios conheceram atendendo clientes com investimentos de dezenas e centenas de milhões de reais em instituições tradicionais.

O primeiro time da empresa tem como sócios também Luis Amato (ex-Credit Suisse, Hedging-Griffo e XP) e Henrique Russowsky (ex-Google e WPP). No time de atendimento estão Alexandre Gonçalves (ex-Itaú BBA e Citi), Fernanda De Rousset (ex-Credit), Gustavo Fernandes (ex-Safra), Otávio Ferreira Silva (BTG e Credit) e Ricardo Cricci (ex-B3 e CSCE).

No total, a companhia atende 130 clientes e uma carteira que deve bater um bilhão de reais em março, com nove meses de operação. A meta era para os primeiroes 12 meses era 1 bilhão, mas deve ser superada em 20%. Para 2021, a meta é 2 bilhões de reais. “Temos grande convicção de que vamos passar”, diz Christiansen. “O mercado de agentes de investimento vai ter poucos vencedores e quanto mais rápido crescermos maior a chance de sermos um dos consolidadores”.

Segundo ele, a escolha do BTG foi para oferecer um atendimento customizado diferente das grandes plataformas de varejo. A B.side não tem um portfólio padrão, o que traz desafios na escala e na velocidade de crescimento. “Nossa expansão depende de bons profissionais”, diz o empresário. Segundo ele, a meta é que cada assessor de investimentos chegue a 250 milhões de reais em carteira, o que lhe permitiria remuneração equivalente à que uma grande instituição paga para carteiras “seis vezes maiores”.

Christiansen levou para a companhia uma visão empreendedora que construiu cedo. Seu pai, que tinha concessionárias de automóveis, quebrou em 1999, quando o agora empresário tinha 15 anos. Pouco tempo depois, ele mesmo começou a comprar e vender carros no estacionamento da faculdade. “Cheguei a negociar 200 carros e ajudei a pagar o curso”, diz.

O estilo mão na massa ajudou a entrar como estagiário na Fama Investimentos, um das gestoras mais respeitadas do país. “Cresci nesse ambiente de valorizar a governança corporativa. Eu entrava na Riachuelo, fazia compra parcelada e não pagava para ver o que acontecia, como a empresa lidava com o cliente”, diz.

Depois, ele fez carreira no Credit Suisse, mas aos poucos foi se incomodando com o gigantismo da operação. Era difícil, segundo lembra, manter um atentimento “private” para centenas de clientes. Após uma passagem pelo Safra, ele decidiu que era hora de empreender. Levou para a B.side um modelo de meritocracia agressivo e uma ambição também geográfica. A empresa já chegou a Belo Horizonte, e tem mais praças no radar.