sexta-feira, março 5

Australopitecos Lucy e Taung têm rostos reconstruídos de forma bem mais precisa

Os famosos australopitecos Lucy e Taung, ancestrais próximos dos humanos, tiveram seus rostos reconstruídos por uma equipe de cientistas do departamento de anatomia e patologia da Universidade de Adelaide, na Austrália. As novas reconstruções trazem detalhes mais precisos de como podem ter sido seus rostos quando viveram na África entre três a oito milhões de anos atrás.

Os restos mortais da dupla foram encontrados em 1974, com Lucy vivendo há 3.2 milhões de anos e sendo da espécie Australopithecus afarensis e também o ancestral humano mais completo já descoberto. Já Taung, da espécie Australopithecus africanus, teria morrido com apenas três anos de idade, onde hoje é a África do Sul, e vivido há mais de 2.8 milhões de anos.

Na reconstrução, os cientistas usaram moldes de silicone pigmentados para deixar a pele de Lucy de um tom semelhante a um bonono, primata também conhecido como chimpanzé-pigmeu, do gênero Pan. As características de Taung eram mais parecidas com as dos humanos modernos e nativos da África do Sul, ganhando um tom de pele diferente da de Lucy.


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Lucy à esquerda e Taung à direita (Imagem: Reprodução/R. Campbell, G. Vinas, M. Henneberg, R. Diogo)

Inconsistências

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela mais nova reconstrução, as representações antigas nunca haviam sido contestadas pela comunidade científica, sendo exibidas em museus com pouca evidência como apoio. Eles dizem que muitas das reconstruções foram feitas por artistas que fizeram suposições que nunca puderam ser testadas, sem saber ao certo se esses antepassados pareciam mais humanos ou mais macacos, se seus tecidos eram mais moles ou duros, entre outros detalhes.

Ryan Campbell, líder do estudo, conta que o grupo de pesquisadores já encontrou diversas versões diferentes de Lucy ao redor do mundo. “Eu esperava encontrar consistência nas reconstruções mostradas em museus de história natural, mas as diferenças eram tão grandes que eu quase pensei que todos os reconstrutores nunca haviam encontrado um único hominídeo reconstruído antes de começar a sua própria”, diz o pesquisador.

Em uma pesquisa publicada ainda em 2012, a reconstrução de 860 hominídeos, entre humanos, macacos e outros parentes, de 55 museus mostraram inconsistências consideráveis, mesmo quando se tratavam dos mesmos indivíduos. Nas novas reconstruções, os cientistas tentaram se livrar dos estereótipos do que é o selvagem e primitivo na hora de representar os rostos, se baseando mais na ciência do que na intuição.

A reconstrução

Para a reconstrução de Taung, o método usado foi o tradicional de moldagem e fundição, criando então um crânio duplicado de um molde da espécie original. Por estar bem preservado, o crânio de Taung permitiu que fossem criados detalhes de seus tecidos faciais. E como os tecidos não são preservados, foi preciso usar como base as características primatas e humanas, sendo exatamente o que os cientistas fizeram, dividindo a arte em duas, sendo um rosto mais aproximado ao de macacos e outro aos de humanos, como mostra a imagem abaixo:

 À esquerda, Lucy mais parecida com macacos e à direita mais parecida com humanos (Imagem: Reprodução/R. Campbell, G. Vinas, M. Henneberg, R. Diogo)

Já a reconstrução de Lucy foi um desafio a mais para os cientistas, pois a maior parte dos seus ossos do crânio não foi encontrada. Porém, como o seu maxilar está quase completo, foi possível reconstruir a cabeça. Foram usados também dados da espessura da pele de humanos modernos, e os pesquisadores dizem que a técnica não está tão longe das reconstruções feitas por intuição, ainda que sejam mais apropriadas para a reconstrução de um hominídeo.

No estudo, os cientistas dizem que mostrar reconstruções desconhecidas em museus pode provocar a desinformação e “levar à confusão e desencorajamento do interesse futuro na teoria evolucionária humana”.

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