quarta-feira, maio 12

As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em maio

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SÃO PAULO – Historicamente conhecido por ser um mês desafiador para o mercado de ações brasileiro, maio começa com sinalizações positivas em meio à sanção do Orçamento de 2021, ao debate acerca da reforma tributária e com a continuidade do calendário de vacinação no país. E se as notícias favoráveis ganharem fôlego, a avaliação de analistas do mercado é de um novo mês de ganhos para a Bolsa.

De olho nessa melhora, que já proporcionou à Bolsa ganhos em março e em abril, analistas seguem aproveitando para fazer trocas em suas carteiras de ações recomendadas, de forma a aproveitar a potencial retomada de diferentes segmentos.

Levantamento feito pelo InfoMoney com dez corretoras mostra que Localiza (RENT3) e WEG (WEGE3) estão entre os papéis preferidos de analistas para comprar este mês, com investidores de olho em uma valorização dos preços de seminovos e na expansão do segmento de geração, transmissão e distribuição de energia, respectivamente.

Eles substituíram as ações da Gerdau (GGBR4), que subiram quase 10%, em abril, e acumulam alta de 36,5%, em 2021.

A carteira para maio manteve, contudo, papéis de outras empresas ligadas a commodities, caso de Vale e Suzano, que tendem a se beneficiar de uma maior demanda chinesa, assim como ações do setor financeiro, com nomes como Bradesco e B3.

Entre os papéis indicados para este mês, apenas dois registram valorização no acumulado do ano: VALE3, com alta de 30,3%, e SUZB3, com avanço de 17,3%. Até abril, o Ibovespa caía 0,10% em 2020.

Na avaliação de Jennie Li, estrategista de ações da XP, a Bolsa brasileira está barata, com o Ibovespa negociando a um múltiplo preço/lucro abaixo da média histórica e com desconto maior que no passado quando comparado com os mercados dos Estados Unidos e de mercados emergentes.

Essa diferença se dá, em sua avaliação, pelo fato de os investidores estarem focados na cena macroeconômica, sem ter colocado no preço o forte crescimento de lucro das empresas, que deve beneficiar o mercado de ações no país.

“Levando em conta fatores que vão se materializar nos próximos meses, como o avanço da vacinação no segundo semestre, a retomada da atividade econômica e a redução dos riscos fiscais, o cenário é positivo para a Bolsa”, diz.

A estrategista destaca que muitas empresas do índice são exportadoras de commodities, que estão em alta em meio à forte demanda por parte dos EUA e da China, contribuindo para o otimismo com a classe de ativos.

Neste cenário, a XP elevou o preço-alvo para o Ibovespa em 2021, de 135 mil para 145 mil pontos, o que implica potencial de valorização de 21,6% em relação ao fechamento do pregão de segunda-feira (3).

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Entre os principais riscos para monitorar neste mês, Jennie chama atenção para a questão fiscal doméstica e para a retomada da agenda de reformas, além do ritmo de vacinação no país. Destaque ainda para a temporada de resultados referentes ao primeiro trimestre do ano.

A carteira compilada pelo InfoMoney é divulgada no início de cada mês e seleciona os cinco nomes mais recomendados pelas casas de análise consultadas. O número de indicações pode ser maior, se houver empate, caso deste mês.

A corretora Necton não participou da seleção de maio, uma vez que não divulgou as recomendações de ações até a data de publicação desta reportagem.

Confira a seguir as ações mais indicadas para maio, a quantidade de recomendações e o desempenho de cada papel no ano:

Empresa Ticker Número de recomendações* Retorno em abril Retorno em 2021 Retorno em 12 meses
Vale VALE3 9 11,28% 30,28% 164,59%
Bradesco BBDC4 6 -1,93% -2,95% 40,63%
B3 B3SA3 5 -5,71% -14,42% 40,33%
Localiza RENT3 4 7,65% -6,61% 89,30%
Suzano SUZB3 4 0,18% 17,30% 74,25%
WEG WEGE3 4 -6,09% -7,09% 76,84%
Ibovespa 1,94% -0,10% 47,68%
*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Santander Corretora, Singulare e XP Investimentos.
OBS.: retorno até 30/04/2021
Fonte: Economatica

Vale (VALE3)

Com nove recomendações, os papéis da mineradora Vale são mais uma vez os mais recomendados para comprar em maio.

Entre as justificativas, o BTG Pactual cita os fundamentos de oferta e demanda de minério de ferro, que continuam fortes em meio à alta procura chinesa. Para os analistas, os papéis da mineradora, que sobem 30,3% em 2021, estão baratos e oferecem potencial de valorização.

A avaliação é compartilhada pela XP Investimentos, que diz ver um valuation atrativo para os papéis VALE3, com a avaliação de negociação abaixo dos pares globais.

Segundo o time de análise da XP, a Vale deveria ser negociada com prêmio em relação aos pares por conta das mudanças estruturais no setor siderúrgico na China; pela tendência de queda de longo prazo para os custos de produção com a retomada das operações, além de um patamar elevado de dividendos a serem distribuídos. A XP espera um dividend yield (retorno com dividendos) mínimo de 6% para as ações da companhia este ano.

No primeiro trimestre, a Vale registrou lucro líquido de US$ 5,5 bilhões, bem acima do lucro de US$ 239 milhões apresentado um ano antes. Em relação ao quarto trimestre de 2020, a alta foi de 650%.

Além do aumento da produção de minério de ferro e do preço da commodity no mercado internacional, o balanço foi impulsionado pelo maior resultado financeiro e pelo impairment (análise para verificar se existe algum ativo sobreavaliado no balanço) referente aos ativos dos negócios de níquel e carvão no último trimestre de 2020.

Bradesco (BBDC4)

Bradesco recebeu seis recomendações de analistas para maio, uma delas do BTG Pactual, que incluiu o banco em sua seleção do mês.

Segundo os analistas da instituição financeira, Bradesco apresentou a melhor dinâmica entres os pares de receita no quarto trimestre e no segundo semestre de 2020, o que deixa o time de análise confiante com os próximos resultados, a serem divulgados na terça-feira (4), após o fechamento do pregão.

Além disso, a expectativa do BTG Pactual é de que o cenário de alta dos juros beneficie a receita dos bancos, e de que as provisões adicionais registradas em 2020 garantam um “colhão confortável” para os impactos na qualidade da carteira de crédito relacionados à segunda onda de Covid.

Jennie Li, da XP, afirma que o setor bancário é historicamente cíclico e apresenta bom pagamento de dividendos. No caso de Bradesco, a preferência da casa se deve à receita diversificada, boa parte dela proveniente da seguradora, fazendo com que seja mais defensível em relação aos concorrentes.

B3 (B3SA3)

Figurinha repetida na carteira compilada pelo InfoMoney, as ações da bolsa brasileira B3 estão pelo 15º mês seguido entre as mais recomendadas para este mês, com cinco menções.

Segundo a Santander Corretora, a perspectiva é de que o volume diário médio negociado na Bolsa siga em alta, impulsionando a receita da companhia. Esse fator, somado a um bom histórico de entrega de resultados e desenvolvimento de novos produtos, justifica um nível de avaliação elevado, segundo afirmam analistas da instituição, em relatório.

O time de análise da corretora escreve ainda que as diversas operações de IPOs e follow-on de 2020 e do primeiro trimestre deste ano devem continuar ao longo de 2021.

Já a Ativa Investimentos afirma que manteve a recomendação de compra para os papéis da Bolsa brasileira em meio à receita diversificada, à forte expansão do número de investidores e pela falta de concorrentes no mercado.

Localiza (RENT3)

A locadora de veículos Localiza recebeu quatro menções para maio e é novidade na seleção compilada pelo InfoMoney.

Segundo a XP, que incluiu os papéis RENT3 na carteira deste mês, a companhia deve se beneficiar de um bom momento para o mercado de seminovos, dada a escassez na indústria de automóveis, que eleva o custo de carros novos e resulta em uma transição para veículos usados.

A forte expectativa de crescimento, com novos mercados apresentando “importantes avenidas de crescimento no futuro”, também justifica a recomendação, escrevem os analistas em relatório.

Na avaliação da Guide, o setor de aluguel de veículos deve continuar a se beneficiar das baixas taxas de juros, suportado também pelo “efeito Uber” (grande locação de veículos para motoristas de aplicativos), terceirização de frotas corporativas de pessoas físicas e boas condições comerciais na compra de veículos.

Além disso, os analistas veem a possível fusão entre Localiza e Unidas como positiva, possivelmente consolidando a maior empresa do segmento.

Suzano (SUZB3)

Em meio ao ciclo favorável para commodities, a empresa de papel e celulose Suzano está novamente entre os papéis mais recomendados para este mês, com quatro menções.

De acordo com a Ágora Investimentos, que está otimista com o setor para 2021, a dinâmica do mercado de celulose está melhorando, apoiada na recuperação de demanda, em preços mais altos do papel e em uma oferta mais fraca do que o esperado.

“Vemos um balanço de oferta versus demanda positivo em 2021 e esperamos mais aumentos nos preços ao longo do ano. A Suzano deve continuar apresentando forte desempenho operacional, agora que está praticamente de volta à plena capacidade, podendo ‘liberar’ todo o seu potencial (sinergias, diluição de custos fixos)”, escrevem os analistas, em relatório.

A Santander Corretora também destaca o cenário positivo para o preço da celulose neste e no próximo ano, além da forte desalavancagem da operação, permitindo a disponibilidade de recursos para novos empreendimentos, que podem aumentar o crescimento da empresa.

WEG (WEGE3)

Com um portfólio que inclui desde geração, transmissão e distribuição de energia a consumo industrial, tração elétrica e indústria 4.0 (que engloba tecnologias para automação e troca de dados), a WEG é novidade na carteira, com quatro recomendações.

Segundo a Ágora, que incluiu os papéis da companhia em sua seleção do mês, a WEG tem tido forte geração de caixa, com a maioria de seus segmentos apresentando crescimento tanto internamente como externamente (cerca de 57% da receita é denominada em dólar).

No primeiro trimestre de 2021, a companhia lucrou R$ 764,2 milhões, valor 74% superior frente aos R$ 440 milhões registrados em igual período de 2020.

Entre os fatores para alta, a companhia citou a melhora da demanda do mercado externo, o crescimento da receita no mercado interno e a variação de quase 23% do dólar frente ao real, que teve efeitos na receita obtida no exterior.

“Vemos a empresa bem posicionada para o longo prazo, com um portfólio competitivo de produtos para energia renovável, motores elétricos para caminhões, armazenamento de energia e soluções da indústria 4.0”, escrevem os analistas, em relatório.

Já a Guide justifica sua recomendação pela expansão contínua no cenário externo (via aquisições locais ou via fusões e aquisições) e pela retomada da economia brasileira, bem como pelo posicionamento de liderança como fornecedora no segmento de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD).

“A empresa tem um mix de produtos diversificado e vem ganhando bastante reconhecimento de marca, com grande potencial no segmento de geração, transmissão e distribuição de energia. Além disso, a companhia ainda tem potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração e saneamento”, dizem os analistas da Guide, em relatório.

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