sábado, fevereiro 20

Aplicativo que ensina idiomas a 300 milhões quer tornar seu teste de inglês mais conhecido

Se você estuda algum idioma, provavelmente já ouviu falar no Duolingo. O aplicativo gratuito é utilizado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo e foi fundado pelo empreendedor Luis Von Ahn, que é, também, o criador do reCaptcha (aquelas letrinhas que você preenchia para validar que não era um robô). As palavras não eram escolhidas aleatoriamente. Elas eram selecionadas a partir de um acervo de livros antigos que estavam em processo de digitalização e precisavam de ajuda humana para validar sua escrita. Após vender a companhia para o Google por milhões de dólares, Von Anh começou a perseguir seu sonho de tornar o ensino do inglês acessível a todos. Na esteira dessa iniciativa, veio o teste de inglês, chamado Duolingo English Test, que se confunde com a história de Von Ahn.

Natural da Guatemala, o fundador do Duolingo tinha ambição de mudar-se para os Estados Unidos, mas precisava de um certificado de que comprovasse sua proficiência em inglês. Para isso, ele precisou pegar um voo até El Salvador, país da América Central, apenas para realizar o teste. Quando criou o Duolingo, anos mais tarde, uma das prioridades foi a criação do English Test, que pode ser realizado por qualquer pessoa, em qualquer horário, basta ter um computador com câmera e pagar 49 dólares. O valor do rival tradicional TOEFL é de 215 dólares.

O sonho do fundador do Duolingo não só saiu do papel, como se espalhou pelo mundo. Hoje, o certificado da empresa é aceito em mais de 3.000 instituições de ensino e, em tempos de covid-19, cresceu mais. O Brasil, que é um dos principais mercados para o Duolingo, está no top 10 dos países que mais realizam o teste de inglês no mundo.

“Queremos quebrar as barreiras do aprendizado do inglês e o teste é uma dessas etapas”, afirma Jeffrey Tousignant, responsável pelo English Test no Duolingo, em entrevista à EXAME. “A adoção do teste em 2020 cresceu dramaticamente. Éramos a única empresa prontamente disponível para realização de um teste de idioma.” O salto na adoção do teste de inglês da empresa chegou a 1.500% alguns meses em 2020.

O principal desafio do teste online é evitar que os alunos colem na prova. Para isso, o Duolingo adota um processo de filmagem de toda a prova. A gravação é analisada com visão computacional, uma técnica de inteligência artificial que reconhece imagens e padrões de movimentação para identificar a direção do olhar, a presença de outras pessoas no local e os sons emitidos no ambiente.

Quem trapacear pode ser desqualificado e impedido de realizar novamente a prova, apesar de existir a possibilidade de recorrer da decisão da empresa. Quem não passar ou não ficar contente com a nota e quiser realizar novamente a prova pode realizar até duas tentativas ao mês, pagando novamente o preço do teste.

O teste de inglês segue como prioridade para o aplicativo, apesar de ele ter o ensino de cerca de 30 idiomas. Segundo Tousignant, a demanda por certificações para o idioma é muito forte em diversos países. No Brasil, por exemplo, testes poderiam ser adotados por escolas de inglês para nivelamento ou comprovação da conclusão do curso, diz Tousignant.

Antes da prova

Antes da realização da prova, Tousignant recomenda estudar, claro, mas também há outros artifícios para preparação. O Duolingo oferece um simulado que ajuda a entender o formato da prova e estar preparado para uma alternância, de uma hora de duração, entre perguntas com base em interpretação de texto, audiência e escrita.

Não há um dress-code para a realização da prova. Mas, como disse Von Ahn em uma entrevista à EXAME em 2017, brasileiros são os únicos no mundo que realizam a prova até sem camisa, enquanto os aplicantes em outros países usam até terno.