sábado, abril 3

8 hábitos equivocados que não te protegem contra COVID-19

Passado mais de um ano da descoberta do coronavírus SARS-CoV-2, novos hábitos foram adotados —  talvez, de forma permanente — para a proteção contra o agente infeccioso, como lavar as mãos e usar máscaras protetoras. No entanto, é possível que alguns cuidados possam não ser, necessariamente, protetores contra a COVID-19. Neste cenário, vale sempre ficar atento ao que funciona ou não, segundo os especialistas. 

Quanto à prevenção da COVID-19, a cientista e farmacêutica Mariane B. C. Nardy, doutora em Genética pela UNICAMP e professora da universidade norte-americana MUST University, na Flórida (EUA), revelou uma série de hábitos que são adotados para a proteção contra o coronavírus, mas nem sempre são eficazes. Parte desses conhecimentos, a especialista compartilha e discute no curso de Mestrado em Gestão de Cuidados da Saúde da faculdade norte-americana, onde leciona.

Lavar as mãos muito rápido

Para lavar as mãos de forma correta, todo o processo de higienização deve levar no mínimo 40 segundos (Imagem: Reprodução/Mblach/Envato Elements)

Para se proteger do coronavírus após chegar em casa ou antes das refeições, “lavagem com água e sabão ainda é a melhor forma de higienizar as mãos. Mas deve ter a duração de 40 segundos, pelo menos. Esse é o tempo estimado para que haja a dissolução do componente lipídico do envoltório do vírus e, consequentemente, sua destruição”, explica a cientista Nardy.


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Cuidado com o álcool em gel

Além de lavar as mãos, outra opção de higienização é o uso do álcool tanto na versão em gel quanto na líquida, desde que em concentração superior a 70%. No entanto, o álcool nessas condições pode evaporar rápido demais, dependendo de onde é armazenado ou caso fique exposto ao Sol, por exemplo. Nessas circunstâncias, a ação para eliminar o vírus é comprometida. Assim, a recomendação é o do uso do álcool apenas em lugares onde não há uma torneira e sabão disponíveis.

Limpar os calçados em tapetes sanitizantes

Mais importante que usar tapetes sanitizantes, é deixar calçados do lado de fora (Imagem: Reprodução/Willmilne/Envato Elements)

O uso de tapetes sanitizantes é um tema complexo quando se pensa na proteção contra o coronavírus. De acordo com a professora da MUST University, diversas condições precisam ser levadas à risca para haver eficácia deste método de limpeza. Por exemplo, a maioria dos calçados não foi feita para ser higienizada através desse meio e possui, por exemplo, reentrâncias. Outros tipos de calçados são abertos e permitem que o líquido desinfetante chegue à pele e cause irritação. Nesses casos, é importante garantir que todo o solado seja limpo e apenas isso.

“Deve-se considerar ainda a eficácia do desinfetante, sua concentração, o tempo de evaporação, o tempo que o solado fica em contato com o desinfetante, entre outros fatores”, pondera a pesquisadora Mariane. Diante dessas necessidades, a especialista atesta que a melhor alternativa para não levar coronavírus e nenhum outro micro-organismo para dentro de casa é deixar os calçados na entrada.

Passar por cabines de luz ultravioleta para desinfecção

Alguns hipermercados e estabelecimentos comerciais adotaram o uso de cabines de luz ultravioleta para higienizar as compras dos clientes, por exemplo. No entanto, a doutora Mariane lembra que essa prática, mesmo adotada com certa frequência, não tem recomendação oficial devido às muitas variáveis que envolvem a sua aplicação para que seja eficaz e segura.

Lavar embalagens e frutas só com água

Não basta limpar frutas e embalagens apenas com água (Imagem: Reprodução/Sonyachny/Envato Elements)

A higiene dos alimentos e outros produtos embalados é uma medida que deve ser praticada em qualquer tempo, independentemente da pandemia da COVID-19, explica a professora Mariane. “Embora não haja indícios de transmissão do vírus por alimentos, frutas, legumes e verduras devem ser lavados e desinfetados com solução de cloro”, acrescenta.

Para a limpeza efetiva, o Conselho Federal de Química recomenda uma solução de cloro de 15 ml (1 colher de sopa rasa) de água sanitária (com concentração entre 2% e 2,5%) para cada 1 litro de água, com imersão das frutas, verduras e legumes por 15 minutos. Vale ressaltar que apenas a limpeza com água é insuficiente para remover os possíveis agentes infecciosos. 

Higienizar superfícies e embalagens com álcool líquido

“Embalagens de produtos devem ser higienizadas com álcool em gel 70%”, recomenda a especialista Mariane. No entanto, é preciso ter atenção com o álcool líquido, independentemente da concentração, e a sua capacidade de higienização. Isso porque, como já abordado, ele evapora muito rápido, o que pode afetar a sua capacidade em destruir o coronavírus. Nestes casos, é importante garantir o armazenamento correto do material de limpeza.

Usar máscaras com tecidos finos demais

Cuidado com as máscaras usadas para a proteção contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Nataljusja/Envato)

A professora orienta que as máscaras N95 ou PFF2 (peça facial filtrante) — aquelas utilizadas pelos profissionais de saúde na linha de frente de combate ao coronavírus — são as mais eficazes para evitar infecções por aerossóis. Além delas, máscaras médicas e cirúrgicas podem ser um recurso alternativo, assim como as feitas em tecido. No entanto, máscaras de tecido devem possuir tecido duplo ou triplo, caso contrário, se forem muito finas, partículas aerossóis contaminadas podem atravessá-la. Nesses casos, não há efeito protetor contra a COVID-19.

Usar máscaras de acrílico

As máscaras de acrílico também se tornaram populares por manterem a visão completa do rosto de quem as usa, no entanto, não são eficazes na proteção efetiva contra o coronavírus, conforme apontamos aqui. Isso porque a proteção mais rígida não garante uma boa aderência ao rosto e, principalmente, o material não é capaz de filtrar o ar inspirado ou expirado, ou seja, a pessoa poderá respirar um ar contaminado com o coronavírus.

Além destes hábitos, existem outras questões que podem reduzir a eficácia do combate ao coronavírus, como o uso de termômetros infravermelho na porta de estabelecimentos comerciais, de forma inadequada. É comum que o funcionário responsável não verifique a temperatura da pessoa e, mesmo assim, permita a entrada sem fazer a aferição correta da temperatura, por exemplo.

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